Greve dos caminhoneiros: Carlos Bolsonaro propaga fake sobre alta da gasolina e cria pânico em grupos bolsonaristas

Enquanto influenciadores da extrema direita inflam as redes sociais propagando a greve dos caminhoneiros, Carlos Bolsonaro (PL-RJ) colocou de volta à ativa o Gabinete do Ódio espalhando informações falsas sobre aumento da gasolina para provocar pânico em grupos de aliados no Telegram.

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Nesta quarta-feira (18), quando influenciadores aliados turbinaram as publicações nas redes, Carlos divulgou uma publicação em seu canal no Telegram um vídeo falando da “disparada dos preços dos combustíveis”.

“O Bozo zerou os impostos dos combustíveis e o lula atochando sem vaselina. Aguente que é por mais democracia e amor!”, ironizou o filho do ex-presidente.

Carlos, no entanto, ignora que o governo Lula zerou a incidência dos impostos federais Pis e Cofins para conter a alta do diesel, provocada pela guerra desencadeada por Donald Trump, dos EUA, e Benjamin Netanyahu, de Israel, contra o Irã.

A publicação de Carlos Bolsonaro foi propagada e incitou bolsonaristas em grupos como Águia, com mais de 17 mil membros, e 100% Brasil Juntos, com mais de 7 mil membros.

Outros vídeos promovem o pânico, como o de um bolsonarista falando para os membros dos grupos estocarem alimentos “porque os preços estão explodindo e vão explodir ainda mais”, fazendo previsões mentirosas sobre os valores.

Publicação de Carlos Bolsonaro propagada em grupos bolsonaristas (Reprodução)

Bolsonaristas inflam greve dos caminhoneiros

Aameaça de greve dos caminhoneiros ganhou escala nas redes sociais nesta terça (17) e quarta-feiras (18), mas os dados coletados nas redes sociais mostram que a onda digital não foi puxada por reportagens e canais orgânicos da categoria. Levantamento da Fórum em 819 publicações em Instagram, Facebook e YouTube indica que a pauta do diesel foi acelerada por poucos perfis, páginas e canais de alto alcance, muitos deles ligados ao ecossistema da extrema direita bolsonarista, que passaram a tratar a possível paralisação como instrumento de pressão política contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva.

O cruzamento das bases revela um padrão de concentração incomum para um debate que, em tese, nasceria de forma mais distribuída entre caminhoneiros, associações e canais do setor.

No Instagram e Facebook, 457 posts somaram 1.099.556 interações. No YouTube, 362 vídeos reuniram 2.423.424 visualizações e 227.608 interações entre curtidas e comentários. Na Meta, os cinco posts de maior tração responderam por 32,1% de todo o engajamento, e os 20 primeiros concentraram 60,1%. No YouTube, a concentração foi ainda mais forte: os cinco vídeos com maior engajamento responderam por 46,9% do total, e os 20 primeiros chegaram a 70,7%.

O mesmo desenho aparece quando o foco sai do conteúdo individual e passa para os emissores. Os cinco perfis mais fortes no Instagram e no Facebook concentraram 40,3% das interações. No YouTube, os cinco canais de maior engajamento responderam por 51,5% do total. Em termos práticos, isso significa que a pauta não escalou como reflexo horizontal e espontâneo do descontentamento nas estradas. Ela foi empurrada por hubs de distribuição com grande capacidade de alcance e influência.

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Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/greve-dos-caminhoneiros-carlos-bolsonaro-propaga-fake-sobre-alta-da-gasolina-e-cria-panico-em-grupos-bolsonaristas/