Segura que isso aí não sai. Por Moisés Mendes

Powerpoint golpista exibido na GloboNews – Reprodução

Uma foto errada pode sair em qualquer jornal, e saem fotos erradas todos os dias. Uma informação errada sai no rádio? Sai. Uma notícia sem fundamento pode ser dada na TV? Pode. Tudo isso é possível.

O jornalismo lida com a pressa, com o improviso e muitas vezes com a falta de controles eficientes. Porque também esses controles falham.

Mas só o que não pode, ou não poderia, sob hipótese alguma, é acontecer o que ocorreu na GloboNews, no dia 20, com o caso do powerpoint do Banco Master. Porque várias pessoas erraram diante do ‘erro’ exposto.

Esse caso é diferente da foto e da informação erradas. Essa é a situação em que alguém erra, sob as ordens de alguém que detém comando, e faz uma arte errada e na sequência todos embarcam no erro.

Mas não porque uma foto errada passou por debaixo das pernas dos editores e saiu no jornal. Mas porque a editora-âncora do programa, no caso Andréia Sadi, aceitou a arte errada e a comentou.

Ela e seus colegas no estúdio, Valdo Cruz, Arthur Dapieve e Thomas Traumann, comentaram o powerpoint (que na verdade não é isso, mas um quadro precário) errado.

Os quatro legitimaram o erro. Se alguém falhou na origem (sob as ordens de Andréia?), todos os outros continuaram falhando.

O certo, o razoável, o recomendável naquela situação seria alguém, a começar por Andréia, dizer: parou, isso aí está errado e eu e todos vocês não vamos comentar um quadro com essas informações.

Não foi o que aconteceu. Dizer que o erro foi do artista gráfico que falhou na origem (sempre sob as ordens de alguém que escolheu o que colocar na arte) é escapismo.

Falharam o editor que forneceu as informações para que fizessem a arte, quem elaborou a arte e que fez a edição da criação no setor. Falharam a editora-âncora do programa e os comentaristas que estavam no estúdio.

O que esse caso pode ajudar a provar é que o jornalismo é feito hoje sem controles e sem pelo menos um profissional sênior por área, uma figura que sempre existiu nas redações para transmitir segurança aos demais colegas e para dizer: isso aí não sai.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/segura-que-isso-ai-nao-sai-por-moises-mendes/