O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) elegeu, nesta terça-feira (14), o ministro Nunes Marques como novo presidente da Corte. Ao seu lado, o ministro André Mendonça assumirá a vice-presidência, formando a dupla que ficará responsável por conduzir as eleições gerais de 2026.
A escolha ocorre em um momento de forte atenção sobre o papel da Justiça Eleitoral e levanta questionamentos devido ao fato de ambos terem sido indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o que reforça preocupações sobre a politização de instâncias que deveriam operar com independência institucional.
A eleição foi realizada entre os sete ministros que compõem o TSE, por meio de votação em urna eletrônica. Antes do início, foi emitida a zerésima — procedimento padrão que comprova a ausência de votos registrados.
Ao final da apuração, o resultado apontou ampla vantagem para Nunes Marques, eleito por 6 votos a 1.
Discurso de continuidade
Atual presidente do TSE, a ministra Cármen Lúcia destacou a responsabilidade dos cargos e buscou transmitir confiança na transição de comando, especialmente diante da proximidade das eleições.
“Os ministros vêm desenvolvendo as suas condições de juízo com grande seriedade e responsabilidade, fazendo com que todos nós tenhamos, na cidadania brasileira, a tranquilidade de saber que a Justiça Eleitoral continuará a prestar o seu serviço”, afirmou.
Apesar do tom institucional, a mudança na liderança da Corte ocorre sob olhares atentos, sobretudo pelo histórico recente de tensão entre atores políticos e o sistema eleitoral.
Declarações dos eleitos
Ao comentar sua eleição, Nunes Marques enfatizou o simbolismo do cargo:
“É uma das maiores honras da minha vida poder ser eleito para presidir o Tribunal Superior Eleitoral.”
Já André Mendonça reforçou o discurso de alinhamento com o novo presidente e prometeu atuação conjunta:
“Estarei lhe auxiliando com todas as minhas forças para que Vossa Excelência tenha uma gestão exitosa e para que o TSE e a democracia brasileira tenham, neste ano, uma festa muito bonita de eleições.”
Contexto político e desafios
A chegada de dois ministros indicados por Jair Bolsonaro ao comando do TSE ocorre em um cenário ainda marcado por debates sobre a confiabilidade do sistema eleitoral e pela disseminação de desinformação em pleitos recentes.
A presidência da Corte tem papel central na organização das eleições, incluindo decisões sobre registro de candidaturas, fiscalização de campanhas e julgamento de ações que podem impactar diretamente o resultado eleitoral.
Diante desse contexto, especialistas apontam que a atuação da nova cúpula será determinante para a credibilidade das eleições de 2026, especialmente em um ambiente político polarizado.
Estrutura e funcionamento do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral é composto por, no mínimo, sete ministros: três oriundos do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois juristas indicados pelo presidente da República. Os mandatos são de dois anos, com possibilidade de uma recondução.
Com a nova presidência prestes a assumir, a expectativa é de que o tribunal enfrente um dos períodos mais desafiadores de sua história recente, sob vigilância constante da sociedade e das instituições democráticas.
*Com informações do TSE
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/nunes-marques-presidencia-tse/

