A Prefeitura de Belém promoveu, nesta sexta-feira (24), o Casamento Comunitário 2026, no Mercado de São Brás. A iniciativa oficializou a união de mais de 100 casais de baixa renda de forma gratuita, reunindo cerca de 432 pessoas, incluindo os convidados. O Casamento Comunitário é uma ação coordenada pela Secretaria Executiva de Direitos Humanos (SECDH), em parceria com o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) e o Cartório Guedes Oliveira.
“Tratar esse dia como um dia importante na vida desses casais, mas sobretudo para reafirmar o direito à cidadania. Às vezes a gente está casando casais que não tinham condições de fazer esse casamento em vias normais. Então, a gente tem um casamento comunitário justamente para que a gente possa garantir a essas pessoas a oportunidade da união, celebrar o amor, a cumplicidade, a parceria, através de uma ação como essa, que garante a essas pessoas o casamento e a união realmente agora, de forma de fato e de direito”, afirmou o prefeito de Belém, Igor Normando.
O evento integra as políticas de promoção da cidadania e inclusão social da Prefeitura de Belém. “É muito importante termos esse momento porque a gente sabe que nem todo mundo tem condições financeiras de ter a oficialização da sua união. Hoje é um momento de celebração, de festa, de celebrar o amor, de celebrar a formação das famílias. E é muito importante que a gente tenha também essa garantia de direitos, de ter o acesso a todo o processo do cartório, a cerimônia, a estrutura de casamento”, pontuou a secretária executiva de Direitos Humanos, Larissa Martins.
A cerimônia ainda contou com toda estrutura comemorativa, como coquetel, DJ, registro fotográfico e sorteio de prêmios. “Quando nos propusemos a fazer esse casamento, entendemos que precisava fazer uma festa simbólica e que fosse histórica. A gente está fazendo o primeiro casamento no Mercado de São Brás depois de reformado e a gente viu que todos estão muito felizes de poderem realizar a celebração da sua união. Achamos muito importante a gente ter uma festa que não seja de qualquer jeito, mas que seja bem produzida, bem feita para que essa celebração realmente seja inesquecível”, afirmou a secretária.

Esta foi a oportunidade de formalizar a união de mais de 35 anos do casal José Fernandes e Cleide Thomaz. O então noivo conheceu a atual esposa na rua onde mora, no bairro do Marco, e ficou interessado nela de imediato. Sem condições de bancar uma cerimônia matrimonial, o casal teve a oportunidade de ser um dos escolhidos para uma celebração gratuita da Prefeitura de Belém.
CASAMENTO
“Depois de trinta e sete anos é muito importante porque, apesar de hoje muitas famílias estão acabando, mas na minha relação existe o amor. E no Evangelho de Deus, principalmente para nós que somos evangélicos, a gente não pode somente se juntar e ir vivendo, a gente tem que oficializar a nossa união. Nós lutamos e hoje estamos aqui para andar no caminho certo com Jesus”, disse o agente de portaria, de 64 anos.
“Para quem foi enrolada por trinta e sete anos anos, é muito importante esse momento. Eu estou achando muito bom, é uma oportunidade muito boa, eu só tenho a agradecer porque conseguimos nos casas de graça e formalizar a nossa união de muitos anos”, brincou a ajudante de sala, de 57 anos.
‘Temos uma vida de casada, mas ainda não era um casamento formalizado’
Juntas há três anos, as assistentes administrativas Amanda Melo, 29, e Jessica Melo, 30, formam família desde o início da relação afetiva. As duas se conheceram no ambiente de trabalho e, de forma rápida, começaram a namorar e foram morar juntas. “A gente começou a morar juntas na mesma época em que nos conhecemos, e a gente não se largou desde que se conheceu no trabalho. Temos uma vida de casada, mas ainda não era um casamento formalizado”, contou Amanda.
Para Jessica, o casamento comunitário foi uma oportunidade de oficializar a relação perante a Justiça, em uma cerimônia marcada pela inclusão de casais homoafetivos. “Hoje em dia, casar é bem caro, até no cartório, além da questão toda de documentação. É muita burocracia também e a Prefeitura ajudou bastante, foi bem simples em relação aos documentos. Para gente que não tem essa disponibilidade financeira foi uma grande oportunidade esse casamento, além de serem vários tipos de casais também. Nós somos um casal lésbico, então foi muito importante a inclusão porque englobou todos os públicos”, apontou.


Há exatos dois anos, os trabalhadores da área de segurança, Adriano Wanzeler, 28, e Brena Oliveira, 27, estão em um relacionamento estável. Apesar disso, os dois se conhecem há pelo menos sete anos, um período marcado por uma forte amizade, que consideram a base da relação. Este ano, então, surgiu a oportunidade de oficializar o casamento de forma gratuita, na ação da Prefeitura de Belém, oportunidade que não deixaram escapar.
“É um momento muito especial, a gente já ansiava por esse momento e agora chegou. Foi muito importante para nossa relação, para a gente que almejava casar na igreja. Nos conhecemos há muito tempo e era um sonho casar. Hoje estamos realizando esse sonho”, relatou Adriano. “Casamento é muito caro e, querendo ou não, é um valor que falta. Como a gente trabalha na área da segurança é um dinheiro que a gente não consegue investir. Então, é uma ótima oportunidade para a gente, está sendo muito emocionante”, garantiu a noiva.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/amor-em-massa-mais-de-100-casais-dizem-sim-em-casamento-coletivo-gigante/

