No Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (22), o pastor, teólogo e cientista político Zé Barbosa, também colunista da Fórum, analisou os votos evangélicos para as eleições de outubro divididos entre Lula (PT) e deputados de extrema direita. Barbosa analisou que a reeleição do presidente petista tem sido mais positiva entre esse meio e como a extrema direita deve se dividir para conquistar esse voto.
Para o pastor, Michelle Bolsonaro (PL) tem mais força dentro do grupo evangélico do que Flávio Bolsonaro (PL). “A última pesquisa da Atlas traz alguns dados bem interessantes. Acho que a Michelle está de olho nesse eleitorado evangélico. Ela hoje teria mais força dentro da imagem evangélica do que o Flávio”, afirma o pastor.
Ele também analisa que entre evangélicos, a aprovação do Lula, por exemplo, cresceu mais do que a média normal. “Então, a aprovação do Lula cresceu entre evangélicos 1.2%. No geral, é 0,6%. Na avaliação do governo entre ótimo e bom melhorou entre evangélicos, 1.6%. E caiu 4,1%. Enquanto, no geral, caiu 2.9%”, diz.
O pastor ainda acrescenta que nas respostas, entre evangélicos, para a pergunta sobre qual o cenário mais preocupante, se Lula reeleito ou Flávio eleito, o índice para a primeira pergunta caiu 12,3%, enquanto no geral, caiu 6,8%.
“Ou seja, entre evangélicos caiu muito mais. A ideia do Lula reeleito já não está assustando mais tanto”, destaca.
Portanto, o pastor analisa que, diante desse cenário, a extrema direita pode investir em um nome “mais aceito entre evangélicos” após o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master ter tirado alguns votos do senador, e esse nome seria o de Michelle.
“A Michelle tem essa prerrogativa de ser mais comunicativa com evangélicos do que o Flávio. Eu acho que ela perde [a eleição], ela não vai ter tanta força. Mas entre evangélicos, sim. Ela vai ter o apelo de ser uma mulher evangélica, que tem aquela coisa da mulher sofredora, que aguenta um marido troncho, aquela coisa toda”, avalia Zé.
“Então, essa tensão entre Michelle e Flávio vai continuar e vai ter como principal pano de fundo o eleitorado evangélico. Podem ter certeza disso”, acrescenta o pastor.
O pastor ainda ressalta que apesar da esquerda reforçar muito o passado de Michelle, isso para o meio evangélico é algo positivo, pois reforça a ideia de redenção da mulher.
“Se a gente ficar batendo nisso, o efeito é contrário. Não adianta bater no passado da Michelle, o que ela foi, o que ela fez. Porque quanto mais pesado, melhor é a imagem da mulher redentora, da mulher que foi redimida e agora está assim”, afirma o pastor.
Reforçar a mentira de Flávio Bolsonaro
O pastor também acrescentou que essa pesquisa Atlas o surpreendeu positivamente porque mostra um “derretimento” do apoio a Flávio Bolsonaro após o escândalo financeiro envolvendo o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”. O pastor destaca que é preciso reforçar a campanha de que Flávio mentiu sobre esse caso.
“A gente está sabendo falar dessa coisa da mentira, tem que bater muito nisso. É mentiroso, é mentiroso, é mentiroso. Porque se pegar nele, essa coisa do Flávio mentiroso, aí vem coisa da mentira: ‘o pai do diabo é a mentira’. E a gente tem isso como força de argumento”, diz o pastor, citando um versículo famoso entre os evangélicos.
“Essa palavra ‘mentira’ para o evangélico é muito forte. Então fazer essa associação é muito importante para que a gente possa trabalhar. E acho que a gente está num momento bom”, finaliza o pastor.
Confira a participação completa do pastor Zé Barbosa
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/reeleicao-lula-nao-assusta-tanto-meio-evangelico-pastor-ze-barbosa/


