Filho de nigerianos, artilheiro dos EUA nasceu após companhia aérea barrar sua mãe grávida

Folarin Balogun

Folarin Balogun foi o grande nome da vitória dos Estados Unidos por 4 a 1 sobre o Paraguai na abertura da Copa do Mundo de 2026. Autor de dois gols nos primeiros 45 minutos da partida disputada em Los Angeles, o atacante de 24 anos ajudou a seleção anfitriã a começar o torneio com uma atuação convincente.

Filho de pais nigerianos, Balogun nasceu no Brooklyn, em Nova York. Sua mãe, Florence, morava em Londres e estava grávida de sete meses quando viajou de férias para os EUA em 2001. O plano era retornar ao Reino Unido antes do parto, mas a companhia aérea recusou seu embarque devido ao estágio avançado da gestação.

“Minha barriga estava muito grande”, contou Florence à ESPN. Sem conseguir embarcar, ela permaneceu em Nova York e deu à luz Folarin poucas semanas depois. Em agosto daquele mesmo ano, o bebê já estava de volta a Londres, onde cresceu e iniciou sua trajetória no futebol.

O torneio já foi marcado por casos como a exclusão do árbitro somali Omar Artan, impedido de entrar no país por restrições de visto, além das dificuldades enfrentadas por torcedores de nações afetadas por medidas migratórias adotadas pelo governo de Donald Trump. O Irã não poderá contar com sua torcida.

Balogun poderia hoje defender três seleções diferentes. Além dos Estados Unidos, tinha direito de atuar pela Inglaterra, onde foi criado e jogou em todas as categorias de base, e pela Nigéria, país de origem de seus pais. Em 2023, porém, optou definitivamente pela equipe norte-americana.

“Eu não acredito que as coisas acontecem por sorte. Eu acredito que o fato de eu ter ido para os Estados Unidos, e ele ter nascido ali, era algo que realmente era para ser”, afirmou sua mãe. “Até quando ele nem pensava em tomar uma decisão sobre seleção, eu sabia que ele deveria escolher os EUA.”

Formado nas categorias de base do Arsenal, Balogun ganhou projeção internacional após marcar 21 gols pelo Reims, da França, na temporada 2022/23. O desempenho levou o Monaco a desembolsar cerca de 40 milhões de euros para contratá-lo. Agora, ele chega à Copa como principal referência ofensiva dos Estados Unidos.

Em um Mundial realizado sob forte debate sobre imigração, fronteiras e restrições de entrada, o principal destaque da estreia da seleção anfitriã é justamente um filho de imigrantes que só nasceu americano porque sua mãe foi impedida de embarcar em um voo de volta para casa.

Hoje, os Estados Unidos colhem em campo os frutos de uma cidadania obtida por direito de nascimento, princípio atacado por apoiadores de Trump.

 

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/filho-de-nigerianos-artilheiro-dos-eua-nasceu-apos-companhia-aerea-barrar-sua-mae-gravida/