A prestação de contas do PL revela que o partido desembolsou ao menos R$ 484 mil entre janeiro e abril de 2026 para remunerar integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Os pagamentos incluem familiares, ex-ministros, ex-assessores do governo federal e dirigentes partidários que atualmente exercem funções na legenda.
Segundo informações do O GLOBO, os valores registrados representam apenas uma parte das despesas do partido neste ano. Pela legislação eleitoral, os partidos têm prazo até o fim de junho do ano seguinte para concluir a prestação de contas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que permite a inclusão de novos lançamentos.
A maior remuneração identificada nos documentos é a da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Presidente do PL Mulher, ela recebeu R$ 101,5 mil nos três primeiros meses do ano, em repasses mensais de R$ 33,8 mil. Ela ocupa posição de destaque nas ações da legenda voltadas ao eleitorado feminino e não se manifestou sobre os valores.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro recebeu R$ 83,5 mil no mesmo período. Os pagamentos aparecem na contabilidade do partido como referentes a “serviços técnico-profissionais”. Contratado pelo PL em dezembro de 2025, após deixar a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, ele atua como dirigente partidário e é apontado como pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.
Entre os nomes remunerados também está o coronel André Costa, ex-secretário especial de Comunicação do governo Bolsonaro. Ele recebeu R$ 66,1 mil entre janeiro e março. Atualmente, participa de atividades ligadas ao PL Mulher e atua em áreas relacionadas à comunicação e estratégias partidárias.
O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga recebeu R$ 65,9 mil em três parcelas. Segundo ele, o vínculo com o partido está relacionado a atividades na área da saúde, incluindo formulação e acompanhamento de políticas públicas. Médico cardiologista, ele comandou o Ministério da Saúde entre março de 2021 e janeiro de 2023.

Outro integrante do grupo político ligado ao ex-presidente é Tércio Arnaud Thomaz, ex-assessor especial da Presidência da República. Ele recebeu R$ 44,8 mil do partido no período analisado. Sua esposa, Bianca Arnaud, também foi contratada pela legenda e recebeu R$ 23,3 mil.
A prestação de contas também registra remunerações destinadas a ex-assessoras de integrantes do governo Bolsonaro. Adriana Mendes Fortes, que trabalhou com o general Walter Braga Netto, recebeu R$ 44,8 mil em cinco pagamentos. Já Carolina Gaia e Silva, ex-assessora do general Luiz Eduardo Ramos, recebeu R$ 26 mil.
O PL mantém ainda entre seus quadros o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Segundo o partido, ele atua na interlocução com prefeitos e lideranças municipais. O ex-governador recebe salário líquido de R$ 27,8 mil, equivalente a R$ 38 mil brutos.
O contrato foi firmado após seu nome aparecer em investigações conduzidas pela Polícia Federal relacionadas a apurações que envolvem o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Os recursos utilizados para os pagamentos têm origem no Fundo Partidário, principal mecanismo de financiamento das legendas brasileiras.
O fundo é composto por recursos públicos e privados, sendo que 5% do total é distribuído igualmente entre os partidos e 95% conforme o desempenho eleitoral de cada sigla. Com a maior bancada da Câmara dos Deputados, o PL recebeu R$ 193 milhões em 2025.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bolsolandia-s-a-pl-gastou-quase-r-500-mil-com-cla-e-aliados-em-quatro-meses/

