Uma pesquisa da IFS, empresa fornecedora de software de inteligência artificial (IA) industrial, aponta que resiliência da rede elétrica e acessibilidade tarifária se tornaram as principais prioridades de investimento das concessionárias de energia no mundo. O estudo foi divulgado em setembro de 2026, a partir de Londres, no Reino Unido.
A reorientação marca uma mudança em relação à agenda anterior do setor, até então dominada por metas de sustentabilidade e descarbonização. Infraestrutura envelhecida, pressões de acessibilidade tarifária e desafios de confiabilidade operacional estão forçando as concessionárias a equilibrar os investimentos entre a manutenção do que já existe e a expansão para novas capacidades.
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Confiabilidade da rede no centro das decisões
O levantamento foi conduzido pela Censuswide com 850 executivos de alto escalão do setor de energia e utilities. Os resultados mostram que o reforço da confiabilidade da rede existente, para protegê-la de eventos climáticos extremos e ameaças cibernéticas, é o desafio operacional mais crítico identificado pelos líderes do setor. Diante disso, 26% das organizações já reavaliaram ativamente seus portfólios de ativos para priorizar investimentos na infraestrutura instalada.
A pressão vem de múltiplas frentes: crescimento de carga sem precedentes, alimentado pela expansão de data centers e pela eletrificação em larga escala, se soma a décadas de subinvestimento e a processos tarifários regulatórios rígidos.
A vice-presidente de energia, utilities e recursos da IFS, Carol Johnston, diz: “o pêndulo no setor de energia oscilou rapidamente. A sustentabilidade continua sendo um objetivo crítico para as concessionárias, mas realidades operacionais e geopolíticas em evolução estão impulsionando uma agenda de investimentos mais equilibrada. Décadas de subinvestimento, somadas a processos tarifários regulatórios rígidos e a uma rede envelhecida, criaram um ambiente operacional no qual confiabilidade, resiliência e acessibilidade tarifária precisam ser tratadas simultaneamente.”
IA industrial como pilar da transição energética
A pesquisa aponta que a IA industrial se tornou peça central na estratégia das concessionárias, funcionando como camada de integração entre sistemas fragmentados, previsão de falhas de equipamentos e automação de fluxos operacionais. Para 57% dos líderes ouvidos, a IA é fundamental para reduzir custos operacionais. Outros 47% afirmam que a tecnologia é crítica para otimizar a performance dos ativos e gerenciar o crescimento da procura impulsionado pela eletrificação. Já 46% dizem que a IA é essencial para acelerar a integração de energias renováveis e distribuídas.
Johnston afirma: “as concessionárias não podem resolver os desafios atuais apenas com novos investimentos em infraestrutura. Enfrentar a crescente procura e as pressões de acessibilidade tarifária exige uma estratégia equilibrada, que extraia mais dos ativos existentes e, ao mesmo tempo, faça investimentos inteligentes em nova capacidade, modernização da rede e resiliência. A IA industrial fornece a inteligência de decisão necessária para otimizar o desempenho dos ativos, maximizar o retorno sobre o capital e manter um serviço confiável em um ambiente operacional cada vez mais complexo.”
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Gestão de ativos ainda opera em silos
Apesar dos investimentos realizados, a maioria das concessionárias ainda está no estágio que o próprio setor chama de “em desenvolvimento” na gestão do ciclo de vida dos ativos. O estudo mostra que 49% das organizações são limitadas por silos de dados operacionais que impedem a tomada de decisão em tempo real. Somente 33% descrevem suas capacidades nessa área como avançadas, enquanto 51% afirmam ter sistemas de gestão de ativos implementados, porém operando de forma isolada e com capacidade preditiva restrita.
A pesquisa identifica esse cenário como o principal campo de batalha da modernização do setor. Para superá-lo, as concessionárias estão buscando abordagens que combinem gestão unificada do ciclo de vida dos ativos com IA industrial desenvolvida sob medida, com foco em resultados mensuráveis, como tempo de atividade da rede, experiência do cliente e conformidade regulatória.
Novas fontes e armazenamento para o futuro
Na frente de expansão de capacidade, a pesquisa registra uma tendência crescente de adoção de Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS, sigla em inglês de Battery Energy Storage Systems) e Sistemas de Gestão de Recursos Energéticos Distribuídos (DERMS, sigla em inglês de Distributed Energy Resource Management Systems), voltados para gerenciar a volatilidade da procura e proteger contra interrupções prolongadas.
Para o longo prazo, os líderes das concessionárias apontam dois vetores de maior impacto na garantia de energia de base limpa e contínua: a energia geotérmica avançada, indicada por 22% dos entrevistados, e os Pequenos Reatores Modulares (SMRs), citados por 18%.
O relatório completo da Censuswide, encomendado pela IFS, deve ser publicado até o final de setembro de 2026.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/concessionarias-resiliencia-investimentos/


