A plataforma de compatibilidade eleitoral Tem Meu Voto, anunciada pelo apresentador Luciano Huck no domingo (27) durante a programação da TV Globo, suspendeu suas atividades neste ciclo eleitoral após ser acusada de favorecer sistematicamente candidatos de direita e centro-direita. A Coalizão pelo Voto Consciente, responsável pela ferramenta, justificou a saída do ar pela baixa adesão de candidaturas diversas, mas a decisão ocorreu sob pressão de políticos progressistas, acionamentos a órgãos eleitorais e uma investigação aberta pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Plataforma ‘Tem Meu Voto’ sai do ar
Apresentada como gratuita e apartidária, a plataforma reunia cerca de 20 mil candidaturas ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas. O eleitor respondia a perguntas sobre diferentes temas e recebia nomes de candidatos acompanhados de um percentual de compatibilidade. A suspensão foi anunciada pela Coalizão pelo Voto Consciente, formada por 14 organizações da sociedade civil.
Em nota oficial, a Coalizão justificou a interrupção pela “baixa adesão das candidaturas”, que teriam deixado de enviar informações suficientes para garantir diversidade na base da ferramenta. “Sem uma base suficientemente diversa de candidaturas participantes e com pouco tempo hábil para ampliá-la, a eficácia da plataforma como ferramenta de comparação ficou comprometida. Por isso, optamos pela suspensão da operação neste ciclo eleitoral”, diz o comunicado. A Coalizão afirmou ainda que “pluralidade e isonomia são condições imprescindíveis” para o propósito da iniciativa.
Acusações de viés e acionamentos legais
As críticas à plataforma se concentraram na metodologia. Segundo documento divulgado pela própria Tem Meu Voto, quando candidatos não respondiam ao questionário, a ferramenta podia inferir suas posições a partir de votações nominais na Câmara ou da posição atribuída à bancada do partido. A escolha das votações e a interpretação do sentido de cada voto eram definidas pela própria organização, que classificava esse processo como uma “decisão editorial”, o que fragilizava a alegação de apartidarismo.
O candidato a deputado federal Nabil Bonduki (PT-SP) apresentou notícia de fato à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo a suspensão temporária e auditoria da plataforma. Segundo Bonduki, testes realizados por ele e relatos de usuários nas redes sociais indicavam que respostas próximas de posições de esquerda resultavam na apresentação de candidatos de direita ou centro entre os primeiros nomes exibidos. A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) também acionou a PGE e o MPF contra a divulgação da ferramenta. O Ministério Público do Rio Grande do Sul abriu investigação sobre a plataforma.
Próximos passos
Nabil Bonduki celebrou a saída do ar da plataforma em suas redes sociais. Nas respostas à publicação, usuários como Flávio BSB e Dani. SP. 13 foram além e levantaram a possibilidade de crime eleitoral, pedindo responsabilização dos envolvidos. “Nota que publicaram é confissão do crime eleitoral. Não basta sair do ar, que paguem pelo crime que cometeram”, escreveu um dos internautas.
https://x.com/NabilBondukiSP/status/2105505256914215360
A Coalizão pelo Voto Consciente, por sua vez, indicou que os “aprendizados desta edição serão considerados em iniciativas futuras”, reafirmando compromisso com transparência e fortalecimento da democracia. A investigação do MP-RS e os acionamentos à PGE e ao MPF seguem em aberto, e seus desdobramentos ainda dependem de apuração.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/plataforma-huck-sai-do-ar/


