B2B já representa até 45% dos negócios da Kingston no Brasil e empresa projeta expansão em 2026

A Kingston Technology está ampliando sua atuação no mercado corporativo brasileiro, impulsionada pela expansão dos data centers e pela demanda por infraestrutura de inteligência artificial (IA). Embora seja conhecida no mercado de consumo por produtos como pendrives e cartões de memória, o segmento de vendas entre empresas (B2B) já representa entre 40% e 45% dos negócios da fabricante no País, segundo Paulo Vizaco, gerente de negócios da Kingston no Brasil e diretor regional de varejo online para a América Latina.

Em entrevista ao IT Forum, o executivo afirma que as vendas da linha enterprise cresceram 42% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Para o fechamento do ano, a expectativa é de crescimento superior a 50%, embora a companhia não tenha detalhado se a projeção considera exclusivamente a linha enterprise ou um conjunto mais amplo de negócios.

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O avanço ocorre em um cenário de maior procura por equipamentos de memória e armazenamento para ambientes corporativos. Ao mesmo tempo, a pressão global sobre a oferta de componentes tem elevado os preços e exigido maior planejamento das empresas que pretendem expandir sua capacidade computacional.

“O que impulsionou esse resultado foi a forte expansão que vem ocorrendo no mercado de data center. Também sofreu muito impacto o aumento que os preços tiveram no último ano, nessa crise do setor de semicondutores”, afirma Vizaco.

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Brasil concentra negócios da Kingston na América Latina

O Brasil responde por 58% dos negócios latino-americanos da Kingston, de acordo com informações compartilhadas pela assessoria da fabricante. Para Vizaco, a concentração está relacionada à posição brasileira no mercado de infraestrutura digital, favorecida pela disponibilidade de terrenos, fontes de energia e projetos de novos data centers.

“Com o advento da IA, com uma demanda muito alta por infraestrutura, vemos que muitos projetos vieram para o Brasil para criar esses data centers aqui no país”, diz o executivo.

A Kingston atua no Brasil há cerca de três décadas e, segundo o executivo, fornece soluções para o mercado nacional de data centers há mais de cinco anos. A operação mantém equipes locais dedicadas às áreas técnica, comercial e de suporte para atender clientes corporativos.

Embora a companhia seja conhecida no varejo por seus módulos de memória de acesso aleatório (RAM), unidades de estado sólido (SSDs) e produtos voltados a computadores pessoais, a estratégia atual busca ampliar a participação de soluções destinadas a servidores, armazenamento corporativo e aplicações industriais.

A fabricante também pretende acompanhar o crescimento desses mercados com eventuais ampliações de sua estrutura local. Vizaco, entretanto, não apresentou metas de contratação ou valores previstos para investimentos.

IA amplia demanda e mantém pressão sobre preços

O crescimento da infraestrutura destinada à IA também está alterando as condições de fornecimento de componentes utilizados em servidores e sistemas de armazenamento.

Segundo Vizaco, a expansão dos projetos de IA ao longo do último ano aumentou a procura por memórias RAM e SSDs, contribuindo para elevar os preços desses equipamentos.

“Acredito que essa ainda é uma tendência, e ainda vamos ter um período de muita pressão nos preços. Isso está muito relacionado com oferta e demanda”, afirma.

Na avaliação de Vizaco, praticamente toda a demanda atual por novos data centers está, de alguma maneira, relacionada à IA. A afirmação representa sua leitura sobre a influência da tecnologia no setor, e não uma mensuração específica dos projetos atendidos pela Kingston.

Para a fabricante, o desafio é equilibrar o atendimento aos canais tradicionais de consumo com a expansão das vendas corporativas. A empresa afirma que continuará fornecendo produtos ao varejo, enquanto desenvolve novas oportunidades em infraestrutura empresarial.

Kingston inicia operação de memórias embarcadas no Brasil

Outra frente de expansão é o mercado de memórias embarcadas, utilizadas em equipamentos industriais e dispositivos que dependem de componentes integrados para executar funções específicas.

Embora a Kingston já mantenha globalmente uma divisão dedicada a esse segmento há cerca de dez anos, a operação brasileira começou em 2026.

Segundo Vizaco, a companhia já registra projetos em desenvolvimento e conseguiu fechar os primeiros pedidos no País. As oportunidades estão concentradas principalmente em aplicações industriais e na fabricação de equipamentos que necessitam de soluções de memória específicas.

“Já temos diversos projetos registrados, diversos projetos em andamento. Alguns já conseguimos, inclusive, fechar algumas ordens”, conta.

Durante a Futurecom, a Kingston apresentou seu portfólio para fabricantes de equipamentos originais (OEM, na sigla em inglês), voltado à integração de componentes em equipamentos de terceiros, além do SSD DC3000ME, desenvolvido para aplicações corporativas de armazenamento.

Parceria com KaBuM! reforça estratégia de vendas corporativas

A expansão no B2B também passa pela distribuição. A Kingston está reforçando sua parceria com o KaBuM!, com quem mantém uma relação comercial há mais de dez anos, para ampliar o acesso de empresas às soluções de memória e armazenamento.

A iniciativa envolve o ambiente Kingston para Empresas, disponível na plataforma do varejista, que reúne produtos destinados a servidores, estações de trabalho e outras aplicações corporativas.

A plataforma também conta com o REX, assistente de IA apresentado pela fabricante para ajudar compradores a identificar produtos compatíveis por meio de comandos de texto e voz.

Para Vizaco, a iniciativa aproveita uma estrutura comercial já consolidada para alcançar clientes empresariais, sem abandonar os canais tradicionais de distribuição.

A Kingston também anunciou o Clube Kingston, programa de relacionamento com parceiros e clientes B2B que oferecerá treinamentos, conteúdos técnicos e iniciativas de engajamento.

Energia e tributação influenciam expansão dos data centers

Apesar das perspectivas de crescimento, a ampliação da infraestrutura de data centers no Brasil depende de condições que vão além da demanda por equipamentos.

Vizaco destaca a disponibilidade de energia e a conectividade internacional como fatores favoráveis ao desenvolvimento do mercado brasileiro. Também menciona a discussão tributária como um elemento capaz de influenciar novos investimentos.

“Para você construir um data center, você precisa realmente ter energia. Nós também aqui já temos no país diversos cabos submarinos prontos para instalação de data centers”, observa.

Na avaliação do executivo, avanços regulatórios e tributários poderão fortalecer a posição brasileira no mercado latino-americano.

A expectativa da Kingston é continuar ampliando sua presença corporativa nos próximos anos, acompanhando o desenvolvimento de projetos de infraestrutura, armazenamento e aplicações industriais. A companhia, porém, ainda não divulgou metas financeiras específicas para essa expansão.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/kingston-b2b-negocios-brasil/