CEOs e CIOs divergem sobre retorno da IA em empresas, diz Gartner

Quase metade dos presidentes-executivos ao redor do mundo enfrenta dificuldades para comprovar aos acionistas e parceiros os retornos financeiros gerados pela inteligência artificial (IA). A constatação é do Gartner, empresa de pesquisa e consultoria em tecnologia, com base em levantamento realizado com 203 executivos em todo o mundo.

O dado é central para entender a dinâmica atual do mercado: mesmo sem conseguir justificar os retornos da IA, 75% dos diretores-executivos (CIOs) planejam aumentar os investimentos na tecnologia. Para 62%, o crescimento da receita e do negócio é uma das principais prioridades estratégicas, segundo a pesquisa.

As melhores notícias de tecnologia B2B

Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

Leia também: 83% dos CIOs vão acelerar investimentos em IA em 2027, aponta pesquisa

A tecnologia como estratégia de negócios

A “2027 Gartner CEO Survey” foi realizada em abril e maio de 2026 com 203 CEOs e executivos seniores de todo o mundo. O levantamento revela que 80% dos entrevistados afirmam que a tecnologia se tornou a própria estratégia das empresas, colocando decisões tecnológicas no centro das discussões sobre crescimento e competitividade.

Ao mesmo tempo, os executivos estão sob pressão de múltiplas frentes de instabilidade. Segundo a pesquisa, 93% esperam que a volatilidade econômica tenha impacto alto ou médio sobre os objetivos estratégicos até 2027. Outros 79% projetam o mesmo nível de efeito a partir de conflitos persistentes, e 77% antecipam esse impacto da industrialização da IA. O grau de preparo para enfrentar esses cenários, porém, é significativamente menor: 24%, 11% e 20% dos CEOs, respectivamente, se dizem prontos para cada uma dessas disrupções.

O vice-presidente analista emérito do Gartner, David Furlonger, afirma que o caminho para gerar valor com a IA passa por uma revisão mais profunda do modelo de negócios. “O problema de gerar valor com a inteligência artificial não será resolvido simplesmente adicionando mais IA às formas de trabalho existentes” explica. “Os CEOs precisam cada vez mais da tecnologia para criar liberdade estratégica: a capacidade de entrar em mercados, reformular ofertas, reconfigurar operações e responder a disrupções mais rapidamente do que os concorrentes. Para os diretores de tecnologia da informação (CIOs), isso significa mudar a conversa da implementação da IA para a reformulação da maneira como a empresa cria valor”.

Reformulação operacional como prioridade

Para acelerar os retornos financeiros da IA até 2027, 63% dos CEOs apontam a reformulação radical do modelo operacional como uma das principais medidas estratégicas. Além disso, 52% mencionam a implementação de agentes de IA no papel de funcionários, e 47% indicam a liberação ou realocação de capital por meio de reestruturação dos negócios.

Furlonger observa que experiências anteriores de transformação tecnológica indicam o mesmo padrão. “A lição das transformações tecnológicas anteriores é que a geração de valor se acelera quando as organizações se reformulam em torno do novo recurso, em vez de simplesmente incorporá-lo aos processos existentes” afirma. “A IA precisa ser integrada à forma como os fluxos de trabalho funcionam, como as decisões são tomadas e como a empresa compete”.

Recomendações do Gartner para CIOs

O Gartner elencou três frentes prioritárias para os CIOs ajudarem os CEOs a alcançar suas metas de crescimento com IA:

  • Reformular os fluxos de trabalho em torno da inteligência: priorizar investimentos em IA que transformem como os processos funcionam, as decisões são tomadas e o valor é entregue, e não apenas acelerem tarefas já existentes;
  • Construir para obter liberdade estratégica: criar arquiteturas modulares e reduzir dependências rígidas, de modo que a organização possa mudar de direção, trocar fornecedores e ampliar capacidades conforme as condições de mercado evoluem;
  • Medir resultados, não atividades de IA: estabelecer métricas financeiras e operacionais claras, incluindo unit economics, velocidade na tomada de decisões, tempo de chegada ao mercado e impacto nos negócios, governando a IA, o trabalho digital e a reformulação da força de trabalho como uma transformação integrada.

Para Furlonger, os CIOs que se limitarem a um papel operacional correm o risco de perder espaço nas decisões mais estratégicas. “Os CIOs que permanecem apenas como executores na ponta final do processo correm o risco de serem excluídos das decisões que, cada vez mais, definem a vantagem competitiva” diz.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Fonte: https://itforum.com.br/noticias/ceos-cios-divergem-retorno-da-ia/