Na última segunda-feira (20), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abriu consulta pública para proposta de registro do “Ofício de Tacacazeira” como Patrimônio Cultural do Brasil. A iniciativa tem o intuito de reconhecer oficialmente a tradição amazônica relacionada ao preparo do tacacá, uma das comidas típicas mais populares da região Norte. Nas bancas espalhadas pelas esquinas de Belém, o aroma do tucupi se mistura à expectativa das tacacazeiras sobre o reconhecimento oficial do seu ofício, que atravessa gerações.
O ofício como tacacazeira é uma herança familiar de Núbia Araújo, de 47 anos. A venda de tacacá iniciou há pelo menos 35 anos com a mãe, a famosa tacacazeira Fafá, que tinha uma barraca de comidas típicas na avenida Nazaré. Após anos de trabalho com a matriarca, elas passaram a vender as comidas no centro comercial de Belém, onde atuam há 30 anos atendendo a população belenense.
Foi na travessa Campos Sales com a rua 13 de Maio que Núbia começou o negócio próprio de venda das iguarias, as quais aprendeu a preparar com Fafá. Bebida à base do sumo da mandioca, consumida majoritariamente nas tardes da capital paraense, o tacacá é um dos pratos mais pedidos nos horários de alta temperatura. Para a vendedora, o registro do Ofício de Tacacazeira é uma forma de reconhecimento de um trabalho secular, passado de geração em geração.
“Eu acho que a gente vai ficar muito mais reconhecida, é mais um patrimônio para o estado do Pará. A nossa expectativa é que essa iniciativa realmente seja aceita, porque pode ser uma ajuda para a gente vender mais, ter a nossa culinária mais reconhecida em todos os lugares. Não tem tacacá melhor que daqui de Belém. Será uma conquista muito grande,uma forma de reconhecimento do nosso trabalho. Há trinta anos eu trabalho com comidas típicas, com o tacacá, foi daqui que eu formei meus filhos, graças a Deus e ao meu trabalho que eles são o que eles são hoje”, disse a tacacazeira.
TRADIÇÃO
A venda da barraca “Raízes da Mandioca” existe há pelo 60 anos com vendas de comidas típicas paraenses. O trabalho foi iniciado pela mãe de Ivanildo Pantoja, 45, com o tacacá como um dos carros-chefes nas tardes quentes da capital. Atualmente na avenida Nazaré, o negócio segue sendo comandado pelos filhos, que mantêm viva a tradição dos pratos tradicionais da cultura no centro da cidade.
“Eu acho que essa decisão, se for positiva, vai ser muito boa para a gente. Sempre foi muita luta para a gente conseguir um espaço na cidade e vender nossas comidas. Então, isso vem mais como uma força para a gente, oficializa o nosso trabalho como algo importante para a cidade e para a nossa cultura. Acho que nós podemos ficar mais conhecidos, muita gente vai querer conhecer as nossas comidas”, afirmou o tacacazeiro.
Qualquer pessoa pode se manifestar sobre esta questão até o dia 19 de novembro. As opiniões e sugestões podem ser enviadas pelo e-mail: [email protected]r; por correspondência ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural (endereço: SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar, Brasília-DF, CEP 70390-135) ou através do Protocolo Digital do Iphan disponível no site oficial do instituto (https://www.gov.br/pt-br/servicos/protocolizar-documentos-ao-instituto-do-patrimonio-historico-e-artistico-nacional-iphan).
O que é o tacacá?
Tacacá é uma comida típica da região Norte do Brasil, muito presente na cultura amazônica. É uma bebida quente feita à base do sumo amarelo extraído da raiz da mandioca brava, o chamado tucupi. O prato é servido na cuia, onde é acrescentado, junto ao tucupi, camarões secos, folhas de jambu e goma de tapioca. O tacacá é geralmente consumido no fim da tarde ou à noite, vendido por tacacazeiras em bancas de rua, e é considerado um símbolo da culinária e da identidade paraense.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/tacaca-de-belem-pode-ganhar-reconhecimento-nacional/

