O cometa 3I/ATLAS voltou a ser visível por telescópios em 31 de outubro, após passar semanas “escondido” atrás do Sol. O objeto interestelar deve atingir seu ponto de maior aproximação com o planeta em dezembro, despertando o interesse da comunidade científica e de observadores ao redor do mundo – inclusive no Brasil, onde muitos se perguntam se será possível vê-lo.
Apesar do interesse, o fenômeno não será visível a olho nu: com brilho máximo estimado em magnitude 11,5, o cometa só poderá ser observado com telescópios de médio porte, com abertura mínima de 20 centímetros, e sob condições ideais de visibilidade.
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Ele é de origem externa ao nosso Sistema Solar e está passando por ele pela terceira vez que um objeto interestelar é observado.
Divulgação/Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA/K. Meech (IfA/U. Hawaii)
Fenômeno pode permitir o primeiro registro direto de um cometa interestelar por espaçonaves humanas

O cometa interestelar 3I/ATLAS foi detectado em 2019 e segue uma trajetória com passagem pelo Sistema Solar

Simulações indicam que a cauda do 3I/ATLAS pode cruzar a rota de duas sondas espaciais em 2025

Cometa 3I/ATLAS pode colidir com sondas da NASA e ESA até 6 de novembro
Reprodução / NASA
Gráfico ilustra o percurso do cometa 3I/ATLAS
Bolin et al., arXiv , 2025
Segundo astrônomos, o 3I/ATLAS poderá ser localizado nas madrugadas do fim de dezembro, a partir do dia 19, preferencialmente antes do nascer do Sol e na direção leste. No Brasil, as melhores chances de observação estarão em regiões próximas ao Equador, com horizonte livre e céu limpo.
Aplicativos de astronomia e mapas estelares digitais podem ajudar quem quiser tentar acompanhar o fenômeno. No momento de maior aproximação, o cometa estará a cerca de 270 milhões de quilômetros da Terra, o que torna o registro visual complicado, mesmo com equipamentos profissionais.
Um visitante de outro sistema estelar
Descoberto em julho de 2025 pela campanha internacional ATLAS, voltada à busca de asteroides e cometas, o 3I/ATLAS é apenas o terceiro corpo interestelar já identificado cruzando o Sistema Solar. Seu nome reflete isso: “3I” significa o terceiro objeto de origem interestelar, enquanto “ATLAS” homenageia o projeto que o descobriu.
Segundo o astrônomo Jorge Márcio Carvano, do Observatório Nacional, o cometa representa uma oportunidade rara de estudo. “Trata-se de um objeto que veio de fora do Sistema Solar, passará próximo ao Sol e seguirá viagem, sem retornar”, explica.
A composição do 3I/ATLAS, uma mistura de poeira e gelo, indica que ele se formou em torno de outra estrela e foi expulso de seu sistema planetário. Desde então, viaja pelo espaço há milhões ou até bilhões de anos. A passagem atual permitirá aos cientistas comparar sua estrutura com a de cometas nativos do Sistema Solar.
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Especulações e informações distorcidas
A notoriedade do fenômeno também trouxe um aumento de boatos e teorias sensacionalistas nas redes sociais. De acordo com Carvano, parte dessas publicações distorce dados científicos ou se baseia em informações preliminares divulgadas por pesquisadores.
“Vivemos um momento em que a divulgação quase instantânea de resultados leva a interpretações incorretas. Alguns textos sugerem, sem fundamento, que o cometa possa ser uma nave alienígena”, afirma o astrônomo.
Ele reforça que não há qualquer indício de comportamento anômalo no 3I/ATLAS. “É natural que ele apresente diferenças em relação aos cometas do Sistema Solar, já que se formou em outro ambiente. O inesperado seria se fosse idêntico aos nossos”, diz.
Atualmente, o cometa é acompanhado de perto por instrumentos da NASA, da agência espacial chinesa (CNSA) e da Agência Espacial Europeia (ESA). Observatórios como o Telescópio Espacial Hubble e o James Webb realizam análises espectroscópicas para identificar sua composição química e as emissões de gases que o envolvem.
Segundo astrônomos, o corpo celeste seguirá sua trajetória e deverá se aproximar de Júpiter em março de 2026, antes de ser lançado novamente ao espaço interestelar, um movimento que marcará o fim de um raro e importante período de observações a partir do nosso planeta.
Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/saiba-se-sera-possivel-observar-o-cometa-3i-atlas-no-brasil

