Prisão de Andrew amplia pressão sobre Trump no caso Epstein

Donald Trump e Jeffrey Epstein. Foto: Reprodução

A prisão de Andrew Mountbatten-Windsor, ex-príncipe britânico, provocou reação imediata de parlamentares democratas nos Estados Unidos e trouxe de volta o debate sobre as ligações de Donald Trump com Jeffrey Epstein, financista condenado por crimes sexuais.

A deputada Melanie Stansbury (Democrata do Novo México) afirmou nas redes sociais que, se um príncipe pode ser responsabilizado, um presidente também deve ser investigado — ainda que não tenha citado Trump diretamente. A declaração ocorreu após a confirmação de que Andrew foi detido na manhã de quinta-feira sob suspeita de irregularidades cometidas quando exercia função pública, segundo a polícia do Vale do Tâmisa.

A detenção ocorreu na esteira da divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA relacionados a Epstein. Os arquivos indicam que o irmão do rei Charles III compartilhou informações confidenciais com o financista durante o período em que atuava como enviado comercial do Reino Unido. Andrew perdeu seus títulos reais no ano passado e deixou sua residência oficial em razão das controvérsias envolvendo sua relação com Epstein.

Democratas ampliam ofensiva

Integrantes democratas do Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara também se manifestaram, afirmando que ninguém ligado a Epstein escapará de responsabilização. O grupo conduz investigações sobre o caso e analisa documentos tornados públicos pela chamada Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.

O comitê busca ouvir figuras citadas nos registros, entre elas Andrew. O ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton devem prestar depoimento na próxima semana sobre o que sabiam a respeito das atividades ilegais de Epstein.

O deputado Suhas Subramanyam (Democrata da Virgínia), membro do comitê, elogiou a prisão do ex-príncipe e declarou que ele evitou a Justiça por tempo demais. Disse ainda esperar que a detenção leve a respostas concretas.

Até mesmo a ex-deputada republicana Marjorie Taylor Greene criticou a condução do caso pelo governo Trump, classificando a investigação como o maior erro político da carreira do presidente. Após a prisão de Andrew, afirmou que o Reino Unido avançou no caso enquanto, nos Estados Unidos, não houve prisões relacionadas a Epstein desde a divulgação dos arquivos.

Andrew e Charles. Foto: Getty Images

Rei Charles defende devido processo

Charles III afirmou que a lei deve seguir seu curso. Em nota divulgada após a prisão do irmão, declarou apoio integral ao processo conduzido pelas autoridades competentes.

Do outro lado do Atlântico, o episódio reacendeu discussões sobre a antiga convivência social e profissional entre Trump e Epstein. Críticos passaram a questionar a diferença na resposta institucional entre os dois países.

Trump nega irregularidades

Donald Trump tem rejeitado qualquer insinuação de envolvimento ilícito. Em conversa com jornalistas, declarou que já foi inocentado e que não tem nada a esconder. Disse não ter ligação com Epstein e alegou que investigações anteriores mostraram que o financista teria atuado para prejudicar suas ambições políticas.
Tudo mentira. Eles se encontraram algumas vezes, inclusive no resort de Mar—a-Lago, na Flórida.
Durante visita oficial ao Reino Unido em 2019, Trump afirmou não conhecer pessoalmente Andrew. Após o afastamento do então príncipe das funções públicas, também declarou solidariedade à família real.

Debate público reacendido

A prisão de Andrew Mountbatten-Windsor ocorre em meio a questionamentos renovados sobre as conexões políticas expostas nos arquivos de Jeffrey Epstein.

Nos Estados Unidos, a oposição intensificou cobranças por investigações mais amplas. Nas redes sociais, usuários compararam a atuação das autoridades britânicas com a americana e pediram que Trump também seja submetido a julgamento.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/prisao-de-andrew-amplia-pressao-sobre-trump-no-caso-epstein/