A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que suspendeu o tarifaço de Donald Trump pode beneficiar produtos brasileiros, como café solúvel, uva, mel e pescados, segundo o g1. Os itens haviam sido excluídos das isenções concedidas pelo governo americano no final de 2025.
Naquele momento, o Brasil já havia obtido isenção de tarifas sobre café em grão e carne bovina, mas 45% dos produtos, incluindo café solúvel, mel e uva, continuaram afetados. A nova decisão judicial pode abrir caminho para a revisão dessas taxas.
O café solúvel brasileiro, que representou 10% das exportações da indústria de café para os EUA em 2024, foi um dos produtos mais afetados. Embora o grão tenha sido isento, o solúvel sofreu uma queda de 50% nas exportações para os EUA após a imposição do tarifaço de 40% em julho de 2025.
O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, apontou que, com a nova medida, o Brasil espera recuperar a competitividade perdida para outros mercados, como a Rússia, que passou a liderar a importação de café solúvel brasileiro.


O setor de uvas também sofreu perdas com o tarifaço. Os EUA foram o destino de 23% das uvas exportadas pelo Brasil em 2024, mas a imposição de tarifas elevadas resultou em uma queda de 73% nas vendas para o mercado americano no final de 2025.
Eduardo Brandão, da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), afirmou que, apesar da exclusão da uva das isenções, o produto foi realocado para outros mercados, mas com a redução da demanda, o poder de negociação e os preços foram afetados.
O mel, que já enfrentava uma taxa de importação de 8,04% nos EUA, também foi impactado pelo tarifaço. O país representa cerca de 80% das exportações de mel do Brasil. A medida prejudicou contratos futuros e afetou a competitividade do produto no mercado americano, com consequências diretas para os apicultores que dependem das vendas para o exterior.
O setor de pescados também foi excluído das isenções, afetando um mercado de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) anuais. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, destacou a importância do mercado americano para o setor, especialmente para pequenas e médias empresas, que têm maior sensibilidade às tarifas.
O Brasil perdeu espaço para concorrentes internacionais, como o Chile e o Peru, que conseguiram vantagens comerciais na negociação com os EUA.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/os-produtos-brasileiros-que-serao-beneficiados-pelo-fim-do-tarifaco/

