O que realmente aconteceu com a Moça do Táxi em Belém?

A história da “Moça do Táxi” atravessa gerações em Belém e segue despertando curiosidade, fé e mistério entre os paraenses. Por trás da lenda urbana está uma personagem real: Josephina Scardino Conte, jovem que morreu aos 16 anos e acabou transformada em símbolo popular da capital.

Josephina faleceu em 16 de agosto de 1931, vítima de tuberculose, doença que, à época, fazia inúmeras vítimas e exigia isolamento hospitalar. A adolescente estava internada no antigo Hospital Domingos Freire, unidade construída no fim do século 19 para tratar pacientes com doenças infectocontagiosas. O prédio funcionava onde hoje está o Hospital Universitário Barros Barreto.

Dois dias após o sepultamento, o jornal “Folha do Norte” publicou um registro fúnebre detalhando a comoção causada pela morte da jovem. O cortejo saiu da antiga fábrica de calçados Boa Fama, pertencente ao pai dela, Nicolau Conte, empresário de origem italiana. O texto descreve um acompanhamento numeroso, com dezenas de pessoas, seis bondes e 22 automóveis — algo incomum para a época. O Consulado Italiano também esteve presente, reforçando o prestígio e as relações da família na cidade.

O funeral que arrastou bondes e virou lenda urbana em Belém

Josephina era aluna do Colégio Santo Antônio. A morte precoce de uma jovem descrita como querida e pertencente a uma família conhecida gerou forte impacto social. O caixão, cercado por flores e grinaldas, seguiu até o Cemitério Santa Izabel, no bairro do Guamá, onde foi sepultado.

Do hospital ao túmulo: a história real por trás da Moça do Táxi

Com o passar dos anos, a dor da família deu lugar a narrativas populares. A história ganhou ainda mais força após ser registrada no livro “Visagens e Assombrações de Belém”, do escritor paraense Walcyr Monteiro, consolidando a figura da “Moça do Táxi” no imaginário coletivo.

Hoje, mais de 90 anos depois, o túmulo de mármore de Josephina continua recebendo visitas. Especialmente no Dia de Finados, populares acendem velas e deixam flores, agradecendo graças atribuídas à intercessão da jovem. Para alguns, ela é milagreira; para outros, uma santa popular. Há ainda quem a veja apenas como uma adolescente cuja partida prematura comoveu a cidade inteira.

Entre fé, memória e tradição, a “Moça do Táxi” permanece como uma das personagens mais marcantes da cultura popular de Belém — não apenas uma lenda urbana, mas uma jovem real, cuja história resiste ao tempo e segue viva na devoção de muitos paraenses.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/a-morte-que-parou-belem-quem-foi-e-do-que-morreu-a-moca-do-taxi/