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Brava Energia anunciou nesta quinta-feira 5, um novo reajuste nos preços da gasolina e do diesel vendidos em suas refinarias, com impacto direto sobre o mercado de combustíveis no Rio Grande do Norte. Os dados indicam aumentos expressivos entre 26 de fevereiro e 5 de março, ampliando a pressão sobre distribuidores e revendedores em um momento em que o preço da gasolina ao consumidor já ultrapassa o valor de R$ 7,10 por litro nos postos do Estado.
De acordo com a tabela de preços divulgada pela companhia, a gasolina vendida na refinaria passou de R$ 2,59 por litro, em 26 de fevereiro, para R$ 2,89 em 5 de março, uma alta de aproximadamente 11,6% em apenas sete dias.
No caso do diesel, os aumentos foram ainda mais intensos. O Diesel EXA subiu de R$ 3,32 para R$ 4,07 por litro, enquanto o Diesel LCT avançou de R$ 3,33 para R$ 4,08 no mesmo período. A variação representa uma elevação próxima de 22% nas duas modalidades do combustível.
Embora os valores se refiram à saída da refinaria — antes da incidência de impostos, mistura de biocombustíveis, margens de distribuição e revenda — o reajuste tende a repercutir gradualmente no preço final pago pelo consumidor.
No Rio Grande do Norte, onde o litro da gasolina já vem sendo comercializado próximo de R$ 7, especialistas apontam que o novo patamar nas refinarias pode pressionar ainda mais o custo do combustível nas bombas nas próximas semanas.
O preço nas refinarias representa apenas uma parte da composição final do combustível. Além do valor inicial, entram na conta tributos federais e estaduais, custos logísticos, mistura obrigatória de etanol ou biodiesel e margens de distribuidores e postos.
Mesmo assim, alterações no preço de origem costumam ser rapidamente absorvidas pelo mercado regional, sobretudo em Estados que dependem de abastecimento por transporte rodoviário e marítimo, como ocorre no Nordeste.
O aumento do diesel também preocupa setores produtivos e de transporte, já que o combustível é amplamente utilizado no transporte de cargas e no escoamento da produção agrícola e industrial. Em geral, ele tem efeito indireto sobre o custo de alimentos e mercadorias.
Embora o reajuste recente no Brasil tenha origem em decisões comerciais das refinarias privadas, o mercado global de petróleo atravessa um período de forte volatilidade devido à escalada do conflito no Oriente Médio.
Segundo avaliação do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, os efeitos diretos da alta do petróleo internacional sobre os combustíveis no Brasil tendem a ocorrer de forma gradual.
Nos últimos dias, o barril do petróleo registrou forte valorização após ataques militares envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, além de retaliações que atingiram bases e instalações estratégicas no Oriente Médio.
De acordo com Ardenghy, a transferência desse custo para o consumidor não ocorre imediatamente porque as refinarias operam com estoques e contratos previamente firmados.
“Na medida em que esse petróleo mais caro chegar às refinarias, elas também, com um certo tempo, tenderão a transferir esse preço para os seus contratos novos”, afirmou o executivo.
O dirigente explicou que esse processo pode levar até seis meses para se refletir plenamente nos preços finais.
A permanência de preços elevados do petróleo depende, em grande parte, da evolução do conflito e da estabilidade no transporte da commodity.
Um dos pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Eventuais bloqueios ou restrições no local podem provocar novas oscilações no mercado internacional.
Segundo o presidente do IBP, a incerteza sobre a duração da guerra e a possibilidade de ampliação do conflito para outros países produtores dificultam previsões sobre o comportamento dos preços.
Apesar das tensões globais, o executivo avalia que o Brasil tem potencial para ganhar relevância no mercado internacional de petróleo. O país produziu cerca de 3,8 milhões de barris por dia em 2025, com exportações próximas de 1,7 milhão de barris diários.
Nesse cenário, o Brasil já ocupa posição entre os principais produtores e exportadores globais de petróleo.Ardenghy afirma que o país pode ampliar ainda mais sua participação caso avancem projetos de exploração em novas fronteiras, como a Margem Equatorial e outras áreas offshore.
Além de garantir segurança energética doméstica, o aumento da produção poderia permitir ao país suprir parte da demanda internacional em momentos de instabilidade geopolítica.
Enquanto isso, no curto prazo, o impacto mais imediato para consumidores do Rio Grande do Norte tende a vir da própria dinâmica do mercado interno, com reajustes nas refinarias e repasses graduais ao preço final nos postos.
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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/guerra-eleva-precos-dos-combustiveis-no-rn/

