Nova denúncia indica histórico de ataques com pitbull em caso investigado no RN

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A Polícia Civil do Rio Grande do Norte investiga novas denúncias relacionadas ao caso da mulher presa após o ataque de um pitbull que resultou na morte de um homem de 62 anos em Extremoz, na região metropolitana de Natal. Vídeos, áudios e mensagens anexados ao inquérito indicam a possibilidade de outros episódios de violência envolvendo a investigada.

Laís da Cunha Oliveira Galindo permanece presa enquanto as autoridades aprofundam a apuração sobre a morte de Francisco Paulo da Silva, de 62 anos, ocorrida quando ele realizava um serviço de capina no quintal da casa da suspeita. Inicialmente tratado como um acidente provocado pelo animal, o caso passou a ser investigado como possível crime.

Entre os materiais enviados à Polícia Civil está um vídeo que mostra um homem sendo atacado por um pitbull em Ceará-Mirim. De acordo com investigadores, Laís estaria presente no local e seria a pessoa que aparece nas imagens ordenando que o animal avance contra a vítima. O vídeo foi anexado ao inquérito e pode reforçar a investigação.

Segundo a polícia, o homem que aparece nas imagens teria conseguido deixar o imóvel após o ataque, mas até o momento não há informações sobre seu paradeiro ou sobre o que ocorreu após o episódio.

Os investigadores também analisam áudios atribuídos à suspeita, enviados a familiares, nos quais ela afirma ter escondido cadáveres em imóveis onde teria morado, segundo apuração do Cidade Alerta, da TV Tropical.

A Polícia Civil informou que o conteúdo das gravações ainda está sendo analisado e não há confirmação oficial sobre os fatos mencionados nos áudios.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Anna Beatriz Alves, a investigação teve uma mudança de rumo após novas informações enviadas pela irmã da suspeita.

“Quando fomos acionados pelo CIOSP, chegamos para uma situação envolvendo um ataque de pitbull. A versão inicial era de que se tratava de um acidente”, explicou.

Segundo a delegada, no dia seguinte ao ocorrido a polícia recebeu mensagens e áudios que indicavam outros elementos relacionados ao caso.

“Tivemos acesso ao conteúdo encaminhado pela irmã da acusada, que incluía áudios tratando de situações pretéritas e também a situação envolvendo a própria vítima”, afirmou.

A delegada relatou que entre os materiais havia registros de conversas feitas enquanto a vítima ainda estava viva dentro da residência. “Prints que a irmã da acusada conseguiu fazer de ligações que a investigada realizou no momento em que a vítima ainda estava viva, agonizando na casa dela”, disse.

Após a análise inicial dos materiais, a polícia solicitou a prisão temporária de 30 dias da investigada e mandado de busca e apreensão na residência.

A investigação também apura o tempo que a suspeita levou para acionar o socorro médico. Segundo a polícia, durante uma videochamada com a irmã, que durou cerca de uma hora, a vítima permanecia ferida dentro da casa.

De acordo com os investigadores, o serviço de atendimento médico só teria sido acionado após um intervalo de tempo considerado relevante.

Durante o interrogatório, a investigada apresentou versões diferentes sobre como o animal conseguiu atacar a vítima. Em um primeiro momento, afirmou que havia deixado o cachorro em um quarto com a porta apenas encostada. Em outro depoimento, disse acreditar que a porta poderia ter ficado aberta.

A polícia também questionou a justificativa apresentada pela suspeita para a demora em acionar o socorro. Segundo ela, o chip do telefone estaria com problema, o que teria dificultado a ligação para serviços de emergência.

Investigadores apontaram inconsistências nessa explicação, já que, segundo os registros analisados, a investigada conseguiu realizar a videochamada com familiares no mesmo período.

A Polícia Civil informou que continuará reunindo provas e analisando os materiais recebidos. Nos próximos dias, cães farejadores poderão ser utilizados em imóveis onde a suspeita já teria morado, como parte das diligências para verificar as informações contidas nos áudios.

Investigação analisa cunho racista

De acordo com a delegada Anna Beatriz Alves, enquanto o homem trabalhava na casa, a mulher fez uma ligação de vídeo em que afirmou que “o verme chegou” a um parente.

“A vítima estava trabalhando nesse momento. E ela fala: ‘O verme chegou’. Ela foi questionada pela policial militar da ocorrência, porque a Polícia Civil ainda não tinha chegado no local dos fatos, mas o relato da policial militar é o de que a questionou do porquê que ela teria chamado a vítima de verme. E ela mencionou que pela cor dele”, explicou a delegada.

Segundo a delegada, a policial militar reforçou o questionamento sobre o termo em referência ao homem.

“Ela falou: ‘Ah, mas ele também tava fedendo’. Isso consta, foi relatado pela policial militar, e pode ter tido cunho racista, xenofóbico, mas isso também ainda está sob investigação”, explicou a delegada. O caso segue em investigação.

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Fonte: https://agorarn.com.br/rn/nova-denuncia-indica-historico-de-ataques-com-pitbull-em-caso-investigado-no-rn/