Ex-assessor de André Fernandes confirma participação em Exército de Nikolas, mas culpa marqueteiro de Marçal

Foto: Reprodução/Instagram) –

Kawan Menezes Ponte Miranda, identificado pela Fórum como um dos administradores do grupo de WhatsApp “CLIPADORES NIKOLAS FERREIRA ”, confirmou à reportagem que figurava na estrutura usada para reunir editores de vídeo e difundir cortes da marcha “Acorda Brasil”, ligada ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Em resposta às indagações feitas pela Fórum, ele afirma que o grupo foi criado por Gabriel Schmidt e diz que sua inclusão como administrador ocorreu depois, por iniciativa do próprio marqueteiro.

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Kawan se notabilizou nacionalmente quando era assessor parlamentar de André Fernandes (PL-CE), após instalar uma placa com a imagem de um veado em uma faixa de pedestres colorida em Sobral, no Ceará, em episódio denunciado como homofóbico e que levou o Ministério Público do Ceará a agir no caso. Agora, ao responder aos questionamentos da Fórum, ele confirma que estava no grupo de clipadores de Nikolas, mas rejeita ter exercido papel de coordenação e atribui a Gabriel Schmidt a criação e a organização da estrutura.

A identificação de Kawan como administrador do grupo integra a investigação da Fórum sobre a engrenagem digital que acompanhou a marcha de Nikolas Ferreira entre São Paulo e Brasília. A reportagem mostrou que a operação mobilizou centenas de clipadores, distribuição de vídeos em alta qualidade, triagem de conteúdo e metas agressivas de alcance nas redes sociais.

Kawan confirma presença no grupo

Questionado pela reportagem sobre sua atuação como administrador do grupo de clipadores, Kawan confirmou que foi inserido na estrutura, mas afirmou que não participou de sua criação nem da sua organização.

“O grupo de WhatsApp ‘CLIPADORES NIKOLAS FERREIRA ’ foi criado por Gabriel Schimidt. Nossa inclusão no grupo ocorreu posteriormente, quando fomos adicionados por ele como administradores.”

Ao responder sobre qual seria sua função específica dentro da estrutura, ele negou qualquer atuação operacional no grupo.

“Não desempenhei papel de organização, coordenação ou direção dessa estrutura. Minha participação limitou-se à presença no grupo após ter sido adicionado, sem atuação na sua criação ou estruturação.”

Vídeo mostra Kawan na caminhada

A versão de Kawan de que sua presença no grupo se limitou a uma inclusão posterior e sem função de coordenação aparece ao lado de outro elemento reunido pela reportagem. A Fórum também obteve vídeo em que ele aparece na própria caminhada “Acorda Brasil”, acompanhando presencialmente a mobilização ligada a Nikolas Ferreira.

O registro, por si só, não demonstra que Kawan comandasse a estrutura digital ou participasse da aprovação dos materiais. Mas enfraquece a ideia de um nome alheio ao ambiente da operação e reforça que ele circulava no entorno direto da marcha, em contato com a mobilização que abasteceu a rede de clipadores.

Negativa sobre coordenação e aprovação de materiais

Kawan também negou participação na aprovação de vídeos, na orientação dos clipadores ou na distribuição dos materiais enviados ao grupo.

“Não. Não desempenhei qualquer função relacionada à aprovação de materiais, orientação de clipadores ou organização da distribuição de vídeos.”

Indagado sobre eventual ligação entre o grupo e gabinetes parlamentares, assessorias políticas ou equipes de mandato, ele respondeu:

“Não tenho conhecimento de qualquer relação institucional ou formal entre esse grupo e gabinetes parlamentares, assessorias políticas ou equipes de mandato.”

Sobre possível pagamento, ajuda de custo, premiação ou qualquer contrapartida aos participantes, Kawan afirmou:

“Não. Não tenho conhecimento de qualquer pagamento, ajuda de custo, premiação ou contrapartida aos participantes.”

Contato com Gabriel e pessoas do entorno de Nikolas

Ao explicar como passou a integrar o grupo, Kawan voltou a negar que tenha ingressado em uma operação organizada por ele próprio.

“Não houve integração a qualquer operação. Fui apenas adicionado ao grupo por terceiros, de forma voluntária, sem participação em organização ou coordenação.”

Ele admitiu, no entanto, manter contato com Gabriel Schmidt e com pessoas ligadas ao ambiente profissional de Nikolas Ferreira, embora tenha negado vínculo formal.

“Sim. Em razão da minha atuação profissional na área de comunicação política, tenho contato com diversos profissionais do setor, entre eles Gabriel Schmidt e pessoas ligadas ao ambiente profissional de Nikolas Ferreira. Tais contatos decorrem exclusivamente da convivência no mesmo meio profissional, sem qualquer vínculo de subordinação, contratação ou remuneração.”

Kawan responsabiliza Gabriel Schmidt pela criação do grupo

Na resposta mais ampla enviada à Fórum, Kawan atribui a Gabriel Schmidt a iniciativa de criar e organizar o grupo “CLIPADORES NIKOLAS FERREIRA ” e afirma que, até onde sabe, nem Nikolas Ferreira nem seu gabinete estariam por trás da montagem da estrutura.

“Esclareço que não tenho conhecimento sobre a finalidade original do grupo, uma vez que sua criação e organização não partiram de mim, de Nikolas Ferreira, de seu gabinete ou de qualquer pessoa vinculada à caminhada, mas sim de Gabriel Schimidt. Pelo que me consta, Gabriel não possuía vínculo com o gabinete de Nikolas Ferreira nem comigo, não exercia cargo, não mantinha contrato, não integrava equipe e não foi contratado ou remunerado por qualquer atividade relacionada a essa iniciativa. Sua atuação, ao que sei, ocorreu de forma voluntária, assim como a de outras pessoas que também participaram da caminhada.”

Na mesma manifestação, ele afirma que sua relação com Gabriel se limitou a uma aproximação pontual para facilitar registros audiovisuais durante a marcha.

“No que se refere à nossa relação com Gabriel, ela se limitou, de forma pontual, a viabilizar sua aproximação de Nikolas Ferreira exclusivamente para fins de registro audiovisual e produção de conteúdo. Isso se deu em razão das medidas de segurança adotadas em determinados momentos da caminhada, quando havia restrições físicas de acesso, inclusive por meio de cordões de isolamento, barreiras de contenção e estruturas de separação entre o público e o espaço de circulação ou fala de Nikolas, apesar de o evento ser aberto ao público. Essa facilitação específica de acesso não configurava vínculo formal ou informal, relação contratual, atribuição de função, benefício, subordinação ou qualquer forma de integração à equipe.”

Por fim, Kawan sustenta que a criação do grupo teria decorrido de iniciativa própria de Gabriel Schmidt, com possível interesse em ampliar visibilidade profissional a partir da repercussão da caminhada.

“No que era possível perceber externamente, a criação e organização do grupo ‘CLIPADORES NIKOLAS FERREIRA ’ aparentava decorrer de iniciativa própria de Gabriel, possivelmente relacionada à divulgação de seus serviços profissionais e à ampliação de sua visibilidade perante terceiros em razão da repercussão pública da caminhada.”

A resposta de Kawan adiciona nova camada à investigação da Fórum. Embora confirme sua presença como administrador do grupo, ele tenta deslocar a origem e o comando da estrutura para Gabriel Schmidt, marqueteiro que se apresenta publicamente como diretor de marketing político de Pablo Marçal e que, em vídeos e postagens já revelados pela reportagem, convocou 1 mil clipadores e falou em metas bilionárias de visualizações para impulsionar Nikolas Ferreira nas redes.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/ex-assessor-de-andre-fernandes-confirma-participacao-em-exercito-de-nikolas-mas-culpa-marqueteiro-de-marcal/