Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e apontado na investigação como operador financeiro do banqueiro, fez 54 transferências que somam R$ 40,9 milhões para a Lagoinha Belvedere, unidade da Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte que encerrou as atividades em 15 de março de 2026.
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Segundo reportagem da Folha, com base em extrato bancário enviado à CPI do INSS, os repasses ocorreram entre 17 de outubro de 2024 e 2 de janeiro de 2026. O primeiro envio, de R$ 2 milhões, foi feito pouco mais de um mês depois de a unidade ter sido aberta, em 10 de setembro de 2024.
Zettel aparece no cadastro da Receita Federal como presidente da instituição. Era nessa unidade que ele atuava voluntariamente como pastor até ser afastado, em novembro de 2025, depois da deflagração da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes bilionárias ligadas ao caso Master.
Como os repasses de Fabiano Zettel evoluíram
De acordo com os registros citados pela reportagem, as transferências voltaram em janeiro de 2025, com R$ 200 mil, e atingiram o pico mensal em abril, quando chegaram a R$ 8 milhões. Depois disso, caíram para R$ 6 milhões em maio e junho, R$ 4,4 milhões em agosto, R$ 4 milhões em setembro, R$ 1,8 milhão em outubro e R$ 500 mil em janeiro deste ano. Não houve repasses em julho, novembro e dezembro.
Os dados reforçam uma mudança de patamar na apuração porque ligam, por documento bancário, um investigado do caso Master a uma estrutura religiosa que já estava sob atenção após o fechamento repentino da unidade. O volume chama atenção não apenas pelo total de R$ 40,9 milhões, mas pela regularidade dos repasses ao longo de meses, incluindo períodos de maior aceleração. Esse encadeamento cronológico tende a aumentar a pressão por acesso à contabilidade completa da igreja, aos contratos de obra, aos comprovantes de despesas e à identificação dos responsáveis pela administração financeira da unidade. A partir desses documentos, investigadores poderão verificar se houve compatibilidade entre a origem declarada dos recursos, a destinação informada e a movimentação efetiva registrada nos extratos anexados.
A Lagoinha afirmou, em nota, que não tinha conhecimento das transações e disse que cada igreja local tem autonomia administrativa, jurídica e financeira. A convenção também declarou que a gestão dos recursos cabe exclusivamente a cada unidade e que tem interesse na correta apuração dos fatos.
Segundo a mesma manifestação, Nathalia Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro e esposa de Zettel, teria informado que os valores estavam contabilizados para a obra e para os custos mensais da igreja, sem retorno à conta pessoal do empresário.
Fechamento da unidade amplia foco sobre Zettel
Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e Jair Bolsonaro (Reprodução de vídeo / PR)
O encerramento dos cultos ocorreu menos de duas semanas depois de Zettel voltar a ser preso. Como a Fórum mostrou, a Lagoinha Belvedere saiu do ar nas redes e manteve Zettel no comando formal da unidade mesmo após o agravamento do caso Master.
Também na cobertura do avanço da investigação, a Fórum noticiou que Zettel foi alvo de mandado de prisão na fase que levou Vorcaro de volta à cadeia. Dias depois, o STF formou maioria para manter a prisão do banqueiro e de outros investigados.
Com a divulgação dos extratos, a apuração sobre o caso passa a incluir a destinação dos recursos, a contabilidade da unidade e a documentação que embasou as transferências mencionadas na reportagem.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/fabiano-zettel-vorcaro-41-mi-lagoinha/

