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Professores e especialistas defendem a adoção de um plano consistente de investimentos na educação para reverter os baixos índices de alfabetização no Rio Grande do Norte. O Estado ficou na última colocação do ranking nacional do Indicador Criança Alfabetizada (ICA), mesmo tendo avançado de 39% para 48% de crianças alfabetizadas na idade adequada entre 2024 e 2025. O percentual, no entanto, ficou abaixo da meta estipulada para o período, de 51%.
Na avaliação de profissionais da área, o desempenho está diretamente ligado à falta de investimentos na formação de docentes e à fragilidade na estrutura das redes municipais, responsáveis pela maior parte do processo de alfabetização. Para o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (Sinte-RN), Bruno Vital, cabe ao Estado coordenar essas redes e promover uma atuação integrada.
Segundo ele, a alta rotatividade de professores — impulsionada pelo uso recorrente de contratos temporários — compromete a continuidade do ensino e dificulta o cumprimento dos 200 dias letivos.
“Além disso, nós temos as situações de defasagem salarial em alguns municípios, de carreiras que estão prejudicadas, por exemplo, como no município de Natal. Os pedagogos que estão entrando agora, que estão responsáveis pela alfabetização na nova carreira que Natal criou, são pedagogos que não têm tempo de planejamento”, pontuou.
De acordo com Vital, a falta de tempo para planejamento impacta diretamente as atividades em sala de aula e, consequentemente, a aprendizagem dos estudantes. Ele também aponta a desvalorização profissional como fator crítico, citando defasagem salarial de cerca de 60% para professores da rede municipal de Natal e mudanças na carreira que reduziram o tempo destinado ao planejamento pedagógico.
Para a ex-secretária de Educação do RN e pesquisadora Cláudia Santa Rosa, os dados mais recentes evidenciam um avanço insuficiente diante da dimensão do problema e reforçam a necessidade de investimentos aliados a uma gestão mais eficiente das políticas públicas.
“O Rio Grande do Norte, em todas as etapas da escolaridade, enfrenta desafios. A gente sabe que cada estatística divulgada posiciona a educação do nosso estado de forma insatisfatória. Em todas as etapas, a gente detecta essa realidade”, afirmou.
Ela ressalta que, mesmo quando há crescimento nos indicadores, o ritmo ainda é considerado baixo.
“Os dados da alfabetização mostram que, mesmo quando conseguimos avançar, é um crescimento tímido, insuficiente para dar conta dos desafios. Estados que estavam atrás avançaram mais, e o Rio Grande do Norte ficou isolado em último lugar”, disse.
Segundo a pesquisadora, o cenário indica que menos da metade das crianças está alfabetizada. “A cada 10 crianças, nós só conseguimos alfabetizar menos de 5. Ou, arredondando, conseguimos alfabetizar metade”, completou.
A União dos Dirigentes Municipais de Educação do Rio Grande do Norte (Undime/RN) informou que avalia os dados com responsabilidade e destacou que, apesar de o Estado não ter atingido a meta, houve crescimento de 23,1% entre 2024 e 2025. Com isso, o RN aparece como o oitavo estado que mais avançou na alfabetização no país.
“Esse cenário reflete desafios históricos, como ausência de políticas públicas contínuas voltadas à alfabetização, desigualdades socioeconômicas e a necessidade contínua de formação de professores”, diz a Undime.
A entidade também defende a ampliação dos investimentos em formação docente e o fortalecimento da colaboração entre municípios, Estado e União.
Já a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer do RN destacou o avanço no índice e afirmou que o Estado tem ampliado ações voltadas à alfabetização desde 2023.
“Desde junho de 2023, o Governo do Estado vem fortalecendo a política de alfabetização em todo o território potiguar por meio de um conjunto estruturado de ações. Entre as principais iniciativas, destacam-se a distribuição de materiais complementares de apoio à alfabetização, que já alcançam mais de 190 mil estudantes”, destacou.
A pasta acrescentou que seguirá atuando em parceria com professores, gestores escolares, universidades, redes municipais e o Governo Federal para assegurar a alfabetização das crianças na idade adequada.
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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/baixa-alfabetizacao-no-estado-gera-cobranca-de-professores/

