O que começou como uma aposta agressiva de expansão transformou-se no maior pesadelo financeiro da história recente do Distrito Federal. O governador Ibaneis Rocha (MDB), que articulou e insistiu na controversa aquisição de carteiras do Banco Master, a instituição comandada por Daniel Vorcaro, agora corre contra o tempo para evitar o colapso do BRB (Banco de Brasília). Na última terça-feira (24), o governo do DF formalizou um pedido de socorro de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O pedido de empréstimo é a última cartada de um governo que viu o patrimônio dos cidadãos e dos servidores brasilienses ser drenado para ativos “podres”. Ao todo, as investigações apontam que o BRB adquiriu surreais R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados vindos do Master. Embora o banco estatal alegue ter recuperado parte desse valor, o buraco no balanço permanece abissal: o provisionamento necessário hoje é de R$ 8,8 bilhões, mas auditorias independentes elevam essa cifra para R$ 13,3 bilhões em carteiras sem lastro adequado.
O “xeque-mate” do Banco Central
A pressão não é apenas financeira, é cronométrica. O BRB tem até a próxima terça-feira (31) para apresentar ao Banco Central um plano concreto de como cobrir o rombo e superar a crise. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi enfático ao declarar que a margem de negociação é inexistente e que a solução cabe exclusivamente ao acionista controlador, no caso, o governo de Ibaneis.
Sem dinheiro em caixa e tendo fechado 2025 com um déficit de R$ 1 bilhão, o GDF não possui sequer capacidade de pagamento para obter garantias do Tesouro Nacional, o que o obriga a aceitar condições mais duras no crédito junto ao FGC, com juros baseados no CDI mais spread.
Garantias em jogo: Do saneamento às áreas ambientais
Para tentar convencer o FGC a liberar a fortuna, Ibaneis colocou o patrimônio do Distrito Federal no balcão de negócios. As garantias oferecidas incluem:
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Participações acionárias da Caesb (Saneamento) e da CEB (Energia);
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Ações do próprio BRB;
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Um conjunto de imóveis avaliado em R$ 6,5 bilhões.
No entanto, o plano enfrenta resistência jurídica e ambiental. No último domingo (22), a Justiça proibiu o uso da Serrinha do Paranoá, área de proteção hídrica avaliada em R$ 2,3 bilhões, como moeda de troca. Outro ativo polêmico é o Centrad, o complexo administrativo que é um símbolo de desperdício, parado há 12 anos em meio a impasses legais.
Custo da insistência
Nos bastidores da política e das redes sociais, a crítica é implacável: Ibaneis Rocha se meteu “até a medula” em uma operação que arruinou a liquidez do banco estatal para favorecer uma aproximação com o grupo de Vorcaro. Agora, enquanto tenta “vender o almoço para pagar o jantar”, o governador luta para manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional, enquanto o servidor público observa, apreensivo, o destino da instituição que guarda seus salários e benefícios.
A proposta enviada ao FGC prevê uma carência de 18 meses, mas o tempo para o BRB, e para a gestão Ibaneis, parece estar se esgotando muito antes disso.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/rombo-brb-master-ibaneis/

