O que deveria ser uma atividade pedagógica ou esportiva em uma instituição de ensino transformou-se em um cenário de horror e apologia à violência explícita em plena capital catarinense. Registros que circulam nas redes sociais nesta última semana mostram uma turma de adolescentes, alunos de uma escola pública sob o modelo cívico-militar, em uma espécie de treinamento de tropa pelas ruas de Florianópolis. Sob o comando de um “professor”, os jovens entoam frases que chocam pelo sadismo e pela total desorientação educacional.
As imagens revelam os menores correndo em formação enquanto repetem, em coro, versos que exaltam o extermínio e a tortura. O conteúdo, absolutamente inadequado para qualquer ambiente escolar ou para jovens em fase de formação de caráter, descreve métodos de execução e descarte de corpos.
Apologia ao crime sob o sol de Florianópolis
A letra do cântico, puxada pela voz do instrutor, não deixa margem para interpretações metafóricas. Os jovens repetem com entusiasmo:
“Eu miro na cabeça; e atiro pra matar. Se munição eu não tiver; pancadaria vai rolar. Bate na cara, espanca até matar; arranca a cabeça e joga ela no mar.” A barbárie sonora continua com a descrição de crimes de tortura, tratados como técnica de ensino: “E o interrogatório é muito fácil de fazer; eu pego o inimigo e dou porrada até morrer”.
A situação ocorre à luz do dia, em vias públicas, expondo a fragilidade do controle pedagógico sobre o modelo cívico-militar que tem se expandido pelo país. Em vez de cidadania, ética ou disciplina esportiva, o que se vê é a mimetização dos piores vícios de condutas marginais à lei, transferidos para dentro do currículo de estudantes da rede pública.
O peso do contexto regional
O episódio joga mais lenha na fogueira da percepção externa sobre Santa Catarina. O estado, que frequentemente ocupa o noticiário nacional por ser um reduto da extrema direita e do bolsonarismo radical, agora oferece ao Brasil o espetáculo de crianças e adolescentes sendo doutrinados para a letalidade como se fosse a coisa mais natural do mundo.
O caso levanta questões urgentes: quem são os profissionais autorizados a “guiar” esses jovens? Qual o respaldo da Secretaria de Educação para que uma escola pública permita que o ódio e a violência gratuita substituam o plano de ensino?
Enquanto a sociedade discute a segurança nas escolas e o combate ao bullying, o exemplo que vem “de cima”, no comando das fileiras escolares, é o de que a solução para os conflitos é o tiro na cabeça e o interrogatório sob espancamento. Uma aberração que, até o momento, desafia qualquer lógica civilizatória.
Veja o vídeo:
https://x.com/taliriapetrone/status/2038606468367208838
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/alunos-escola-civico-militar-sc-atiram-na-cabeca-pra-matar/


