O Parque Zoobotânico Mangal Das Garças possui uma programação diária que pode ser acompanhada pelos visitantes. Uma das atividades é a alimentação dos animais que habitam o espaço, em especial aqueles que dão nome ao local: as garças. Às 11h, 15h e 17h30 são os momentos do dia em que as aves protagonizam um espetáculo à parte com uma revoada que cruza o céu. Símbolo de Belém, as garças fazem parte da história e cotidiano da cidade, presentes, principalmente, em áreas com acesso aos braços do rio.
Historicamente, a cidade de Belém abriga um grande número e diversidade de espécies de garças, realidade atrelada ao comércio do pescado às margens da Baía do Guajará, onde também está localizado o Mercado de Peixe do Ver-O-Peso. De acordo com o veterinário do Mangal das Garças, Camilo González, essa característica aumentou a oferta de alimento, o que favoreceu a adaptação ao convívio próximo ao ser humano e a reprodução desses animais.

Antes da fundação do Parque Zoobotânico Mangal das Garças, em 2005, as aves já eram habituadas a dormir naquela área, costume que permanece após 22 anos. Mas foram os primeiros técnicos do parque que iniciaram os trabalhos de condicionamento da resposta das aves ao horário de alimentação.
Atualmente, cerca de seis espécies diferentes de garças habitam o local, sendo mais comum a garça-branca-grande, símbolo da capital paraense. Porém, espécies bem raras frequentam o Mangal, como as garças de floresta e as migratórias, que ocorrem em alguns períodos do ano. Em números, são aproximadamente 200 a 300 indivíduos durante o dia e cerca de 400 ao anoitecer, quando há uma população expressiva de garças menores.
Segundo o médico veterinário, o espaço representa o refúgio para as aves no ambiente urbano. “O Mangal tem a função de refúgio para elas, um lugar seguro dentro da cidade, que se assemelha ao habitat natural delas. Segundo, é um lugar onde também há disponibilidade de comida. Essa é a principal importância do Mangal, um santuário de fauna, onde os animais chegam para buscar refúgio, alimento e proteção”, afirma González.
HÁBITOS
As garças são animais predadores com hábitos diurnos. Se alimentam principalmente de peixes, mas comem diversos pequenos animais aquáticos e terrestres, além de insetos. Apesar de andarem em grupo, a ave tem comportamento solitário, sem formação de bando ou casais com finalidade de proteção. “O que mais se destaca é a tranquilidade com que elas convivem com os seres humanos. Você vê a proximidade que não é comum de um animal silvestre. Isso já é um costume aqui, porque as garças se adaptaram muito bem ao meio urbano em Belém”, diz Camilo.
“Chegam pessoas de outras partes do Brasil, inclusive de outras partes do mundo, e se surpreendem ao ver tanta garça porque em outros lugares, às vezes, é uma ou duas garças. É uma característica de Belém como cidade, ter esse volume, esse número grande de garças convivendo em meio urbanizado. Inclusive, a gente vê elas nos leitos dos canais tão limpas, procurando insetos, peixes, mas elas também são oportunistas, se tiver outro tipo de alimento, elas comem”, revela o veterinário.
REVOADA
No Mangal, a revoada das garças representa o horário de alimentação dessas aves, que voam ao encontro de um técnico responsável pela comida. A primeira equipe de técnicos do parque foi responsável por estabelecer os protocolos de fortalecimento do comportamento das garças em procurarem alimento naquele local. “Eles foram só fortalecendo esse condicionamento. Não é algo que a gente obriga, elas são animais de vida livre, vêm porque querem e veem vantagem nisso”, contou Camilo.
“É um processo que a gente não faz unicamente com as garças, mas com muitas espécies, justamente condicionar, fazer um reforço positivo, modelar um comportamento que a gente deseja do animal. É uma das estratégias que os zoológicos têm para promover o bem-estar dos animais para que eles fiquem soltos e saudáveis”, explicou González.
Nos horários de 11h, 15h e 17h30 são disponibilizados pedaços de Pratiqueira, um peixe abundante nos rios da região amazônica. Conforme o veterinário, o pescado funciona como suplemento alimentar para as aves de vida livre, sem tirar a capacidade de procura pelo próprio alimento ao longo do dia.


“Pelo número de garças, o que a gente dá é um volume que talvez não vai atender a todas, em todas as alimentações. Mas o objetivo é suplementar a alimentação delas para continuarem vindo aqui. Durante o dia elas também ficam caçando, então a gente dá para a pratiqueira em pedaços para que cada uma fique com um fragmento que já vai atender a uma parte da necessidade do dia. Fazemos três alimentações justamente para tentar abranger o máximo número de garças porque tem bastante competitividade entre elas”, afirmou.
A alimentação das garças, segundo o veterinário, também é uma estratégia para promover a educação ambiental com os visitantes do parque. “Nós podemos fazer um trabalho de educação ambiental com as pessoas, mostrar uma árvore emblemática daqui, mostrar a relação das garças com a água. Na Amazônia tem rios diversos que a gente precisa proteger. Essas aves dependem desses rios e da conservação das florestas. Então, conseguimos unir esse espectáculo, que é uma coisa muito linda e única, e, ao mesmo tempo, contextualizar dentro do significado de preservação dos recursos naturais e da biodiversidade”, concluiu Camilo González.
VISITANTES
No meio da manhã, próximo ao horário de almoço, as garças do Mangal voam ao encontro de uma bacia de comida, conduzida por um técnico ao entorno do Lago Cavername, o que resulta em uma nuvem branca pairando logo acima da cabeça dos visitantes. Natural do Rio de Janeiro, a estudante Ana Paula Ribeiro, de 44 anos, viu o espetáculo da revoada na sua primeira vez em solo belenense, o que a deixou encantada logo “de cara”.
“O local é bem divulgado, mas eu não imaginava que elas ficavam soltas pelos visitantes. Essa revoada é bem bonita e elas são muito amistosas porque estão acostumadas com as pessoas andando entre elas. Já aproveitei para registrar esse momento e estou enviando ao meu pai que é paraense, tem oitenta e dois anos, mas foi morar no Rio ainda criança, com sete anos, ele mora lá até hoje. Estou transmitindo essa felicidade de estar aqui com ele”, relatou a carioca.
Com altas expectativas para conhecer o Mangal das Garças, a estudante Cynthia de Brito, 30 anos, relatou que o momento da revoada era o mais esperado da visita. No meio das garças, ao final do espetáculo, ela registrava o momento na primeira passagem pela capital paraense. A proximidade com as garças foi o que mais a encantou durante o passeio.
“Aqui era um dos lugares que eu estava com mais expectativa para vir, principalmente para ver esse momento da revoada. Logo quando eu cheguei, elas já estavam voando, mas consegui tirar foto e fazer vídeo. Eu gostei bastante, é bem bonito mesmo. É a primeira vez que vejo esses animais tão de perto. Quando eu cheguei, fiquei na dúvida se poderia chegar tão perto, mas percebi que é bem tranquilo e aqui tem muitas garças”, disse a paraibana.
Fonte: https://diariodopara.com.br/para/revoada-de-garcas-encanta-visitantes-no-mangal-das-garcas-veja-horarios/

