O Ministério da Fazenda desenha um novo pacote para enfrentar o avanço do endividamento no país e já levou a proposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre as alternativas em análise está a possibilidade de uso do FGTS para quitar ou renegociar dívidas.
A apresentação foi feita pelo ministro Dario Durigan, que vem articulando diferentes frentes para ampliar o alcance das políticas de renegociação.
O plano prevê condições diferenciadas para pessoas físicas, microempreendedores, pequenas empresas e trabalhadores informais, com foco em reduzir o peso das dívidas no orçamento familiar sem comprometer a recuperação econômica.
Desenho ainda em construção
Apesar do avanço nas discussões, o pacote ainda não está fechado. Técnicos da equipe econômica seguem ajustando detalhes antes do anúncio oficial, incluindo os critérios para eventual uso do FGTS.
A medida depende de avaliação conjunta com o Ministério do Trabalho e só deve avançar se houver entendimento de que não compromete a função do fundo como reserva de segurança.
Durigan tem defendido que a proposta vá além de soluções pontuais. A ideia é reestruturar dívidas e criar condições mais sustentáveis de pagamento, evitando que os consumidores retornem rapidamente ao ciclo de inadimplência.
Regras para evitar recaída
Outro eixo do plano é a criação de mecanismos para impedir o novo endividamento. O governo avalia, por exemplo, estabelecer limites e regras mais rígidas em setores que vêm pressionando o orçamento das famílias, como o mercado de apostas.
Nos bastidores, integrantes da equipe econômica reconhecem que o desafio não é apenas renegociar débitos, mas impedir que o problema se reproduza em escala ainda maior. Por isso, a proposta combina alívio imediato com medidas estruturais.
Números pressionam governo
Os dados recentes ajudam a explicar a urgência. O nível de endividamento das famílias chegou a 80,4% em março, segundo a CNC, enquanto o comprometimento da renda com dívidas atingiu 29,3% em janeiro, de acordo com o Banco Central, no maior patamar desde o início da série histórica.
O governo também leva em conta a experiência recente do Desenrola, que possibilitou a renegociação de R$ 53 bilhões em débitos para cerca de 15 milhões de pessoas, mas não foi suficiente para conter a tendência de alta dos indicadores.
Sem fixar uma data, Durigan indicou que o anúncio deve ocorrer em breve. A expectativa é fechar os ajustes finais nos próximos dias e apresentar o pacote completo ainda nesta semana, com envio posterior ao Congresso.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/governo-lula-aposta-em-desenrola-2-0-para-livrar-familias-do-endividamento-ainda-em-2026/

