O empresário Maurício Camisotti, dono do Grupo Total Health, fechou acordo de delação premiada com a Polícia Federal e passou a ocupar posição central na investigação sobre a fraude bilionária no INSS. A revelação, publicada pela Fórum, atinge um nome que há anos circula em apurações sobre negócios na área da saúde e relações com o núcleo político do PP.
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Camisotti não é personagem lateral nesse ambiente. Seu nome aparece no entorno de Ricardo Barros, deputado federal pelo Paraná e ex-ministro da Saúde do governo Michel Temer, uma das figuras mais influentes do partido. Essa proximidade ajuda a explicar por que sua delação passou a ser tratada como ponto de pressão sobre o braço político do escândalo.
Do setor da saúde ao entorno de Ricardo Barros
Camisotti construiu sua atuação empresarial no mercado de saúde suplementar. Em Brasília, ganhou espaço em circuitos que cruzam interesses privados, lobby e acesso a áreas estratégicas da administração pública. É nesse terreno que seu nome se consolidou como peça conhecida no universo político ligado ao PP.
A ligação com Ricardo Barros já havia sido destacada pela Fórum em reportagem publicada em 2025, que mostrou o elo entre a fraude no INSS, o governo Bolsonaro e as suspeitas de propina citadas em relação a Barros e ao senador Ciro Nogueira. Naquele material, o nome de Camisotti já aparecia na trilha financeira e política do caso.
A publicação provocou reação judicial de Ciro Nogueira, mas a revista venceu a ação. A decisão manteve a reportagem no ar e reafirmou a proteção constitucional à liberdade de imprensa, em episódio que reforçou a consistência da cobertura da Fórum sobre o esquema.
O nome que reaparece da Covaxin ao INSS
Antes de entrar no centro da investigação sobre o INSS, Camisotti já havia sido citado no noticiário da CPI da Covid, no contexto do caso Covaxin. A menção inseriu o empresário em outra apuração de alto impacto ligada à interface entre negócios privados e o Ministério da Saúde.
Agora, no caso do INSS, o foco está na estrutura usada para impor descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões. A delação de Camisotti muda o patamar da apuração porque alcança um empresário com trânsito no setor privado e conexões políticas acumuladas ao longo dos anos.
A pressão sobre o núcleo político do escândalo
A colaboração com a PF amplia a pressão sobre empresários, entidades e agentes que orbitam o esquema. O peso de Camisotti na investigação está justamente na posição que ocupa entre o braço empresarial da fraude e o ambiente político que cerca a máquina pública.
O caso também avançou sobre a família do empresário. Empresas e pessoas ligadas ao grupo Camisotti passaram a entrar no radar da CPMI do INSS, que examina a rede de relações por trás dos descontos aplicados sobre benefícios previdenciários.
Maurício Camisotti chega a essa etapa da crise como mais que um nome de bastidor. É um empresário da saúde, ligado ao grupo de Ricardo Barros, citado em apurações anteriores da Fórum e agora convertido em peça-chave para esclarecer o caminho do dinheiro e a dimensão política da fraude contra aposentados.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/mauricio-camisotti-ricardo-barros-fraude-inss/

