Vídeo mostra açaí da Bahia sendo descarregado em Belém

A presença de açaí vindo de outros estados para abastecer o mercado de Belém passou a chamar atenção nas redes sociais e abriu um novo debate sobre o futuro da cadeia produtiva do fruto no Pará. O influenciador digital Jhoy Gerald, conhecido como Rochinha do Açaí, publicou um vídeo em que mostra embarcações descarregando açaí e afirma que o produto já chega de regiões distantes, incluindo a Bahia, para atender a demanda na capital paraense.

No vídeo, Rochinha demonstra surpresa com a situação e questiona a mudança no fluxo tradicional do mercado. “Tu consegue imaginar que esse açaí é da Bahia? Aqui dentro da capital do Pará está chegando açaí da Bahia para movimentar o mercado interno. Na história quem há décadas bate açaí é o paraense, nunca ninguém imaginou que isso aconteceria, um outro estado mandando açaí para dentro do maior estado, da maior produção, que exporta 95% do açaí para todo o Brasil, recebendo açaí de outros estados para comercializar internamente”, afirmou, em tom de indignação.

Açaí made in Amapá?

Ele também aponta que embarcações vindas de Macapá, no Amapá, já abasteciam o mercado regional, o que não causava estranhamento, pois o estado possui tradição no cultivo do fruto. No entanto, segundo o influenciador, a chegada de açaí da Bahia representa uma mudança significativa na dinâmica do setor e levanta preocupações sobre a qualidade e a conservação do produto, já que as longas distâncias de transporte podem comprometer o estado do caroço.

Nos comentários, muitas pessoas relacionaram a chegada do açaí de outros estados ao aumento expressivo dos preços em Belém. Segundo essas manifestações, os valores elevados teriam tornado a compra do produto local mais difícil, abrindo espaço para fornecedores de outras regiões e criando um cenário de concorrência que pode enfraquecer a cadeia produtiva tradicional do Pará.

Alta do preço do açaí abre espaço para produto de fora e muda dinâmica do mercado em Belém Foto: divulgação/reprodução

Preço do litro do açaí dispara

Esse movimento ocorre em um momento de forte alta nos preços do açaí na capital. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) aponta que o valor do litro do produto registrou aumentos expressivos no início de 2026.

O açaí do tipo médio, por exemplo, passou de R$ 28,82 em janeiro para R$ 41,30 em março, acumulando alta de 43,30% apenas no primeiro trimestre do ano. Já o açaí do tipo grosso atingiu o valor médio de R$ 57,53 no mesmo período, após sucessivos reajustes.

Os dados mostram que a alta do produto superou com folga a inflação do período, estimada em 4,14%. O encarecimento está ligado principalmente ao período de entressafra, que reduz a oferta do fruto, além do aumento dos custos de produção, transporte e armazenamento. A demanda crescente no mercado interno e externo também pressiona os preços e contribui para o cenário de carestia em Belém.

Dados do Dieese apontam aumento de até 43% no primeiro trimestre de 2026, enquanto estudo da Fapespa confirma que o Pará segue como líder absoluto na produção nacional. Foto: divulgação/reprodução

Apesar das dificuldades recentes no abastecimento e do aumento dos preços, o Pará mantém liderança absoluta na produção de açaí no Brasil. Estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) mostra que o estado responde por cerca de 93,8% do valor da produção nacional do fruto.

A cadeia produtiva movimentou aproximadamente R$ 8,8 bilhões em 2024 e sustenta milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, desde a agricultura familiar até o comércio e a exportação.

O levantamento também destaca que a produção de açaí no Pará cresceu de forma expressiva nas últimas décadas, saltando de pouco mais de 145 mil toneladas para cerca de 1,9 milhão de toneladas em 38 anos. O avanço consolidou o fruto como um dos principais motores da economia regional e um símbolo cultural da Amazônia.

Mercado do açaí enfrenta mudanças e presença de produto externo chama atenção no Pará Foto: divulgação/reprodução

Há quem diga que a chegada de açaí de outros estados não significa necessariamente perda de liderança produtiva, mas pode indicar mudanças no mercado provocadas pela combinação entre preços elevados, demanda crescente e desafios logísticos.

Porém, o cenário reforça a necessidade de investimento em tecnologia, produção sustentável e planejamento da cadeia produtiva para garantir competitividade e estabilidade no abastecimento do alimento que é base da alimentação da população paraense.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/acai-da-bahia-chega-ao-para-e-surpreende-moradores-de-belem/