Dia das Mães: comércio mantém otimismo cauteloso para a data

Belém e Pará – O comércio paraense está otimista com relação ao movimento de compras nas proximidades do Dia das Mães. O otimismo – considerado moderado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará – Fecomércio, se inspira em dados de um levantamento realizado pela entidade que revela que 86,1% dos consumidores pretendem comprar presentes, mantendo a data como a segunda mais importante do varejo, atrás apenas do Natal. O levantamento da Fecomércio/PA mostra que, apesar da pressão no orçamento das famílias, o apelo afetivo segue garantindo movimento nas lojas.

O perfil de quem vai às compras revela uma curiosidade que confirma um padrão antigo: as mulheres continuam liderando o consumo, representando 69,3% dos compradores. A maior concentração está entre 34 e 60 anos, faixa com maior estabilidade financeira. Ainda assim, a intenção de compra aparece distribuída entre todas as rendas, indicando que, quando o assunto é Dia das Mães, o bolso até aperta, mas não trava.

Na prática, o consumidor paraense deve ser mais comedido: quase metade (47,3%) pretende gastar entre R$ 101 e R$ 200, enquanto apenas uma parcela menor aposta em valores mais altos. Mesmo assim, há um sinal positivo, 27,8% dizem que vão gastar mais do que no ano passado. Por outro lado, a percepção de inflação pesa: 85% afirmam que os preços estão mais altos do que em 2025.

Entre os presentes, não tem muita novidade e talvez esse seja justamente o segredo: roupas, calçados e acessórios lideram com 53%, seguidos de perfumes e cosméticos (49,2%). Ou seja, itens tradicionais continuam reinando, enquanto produtos mais caros, como eletrodomésticos, ficam praticamente fora da disputa. Outro dado curioso é a chamada “maternidade estendida”: além das mães (75,4%), sogras, esposas e até outras figuras afetivas entram na lista, o que ajuda a explicar por que muitos consumidores compram mais de um presente.

A poucos dias do Dia das Mães, a movimentação no centro comercial e nos shoppings de Belém segue tímida.
Foto: Wagner Almeida / Diário do Pará.

O comportamento de compra também carrega traços bem conhecidos: mais da metade deixa para comprar na semana da data e quase 8% vão literalmente na véspera, o velho hábito brasileiro de última hora segue firme. Ainda assim, o digital ganha espaço: embora o shopping center seja o principal destino (52,3%), a internet já aparece com força, e o WhatsApp e Instagram se consolidam como canais de compra.Forma de pagamento

Na forma de pagamento, o retrato é de equilíbrio entre tradição e tecnologia. O cartão de crédito parcelado lidera (43,9%), garantindo fôlego ao consumidor, enquanto o PIX já se firma como principal alternativa à vista (27,3%), mostrando como o brasileiro incorporou rapidamente o sistema.

Do lado dos empresários, o clima é positivo, mas sem euforia. Cerca de 74,2% esperam vender mais do que em 2025, porém a maioria deste total aposta em um crescimento tímido, de até 5%. A cautela aparece também nas decisões práticas: 74,2% não pretendem contratar funcionários temporários e quase metade manteve os estoques no mesmo nível do ano passado.

Outro movimento claro é a consolidação do varejo híbrido. Enquanto 87,1% das empresas seguem com foco na loja física, quase dois terços já utilizam redes sociais e aplicativos para vender. O investimento em marketing digital lidera as estratégias.

Apesar do otimismo, há um freio evidente: o endividamento das famílias, apontado por 51,6% dos empresários como principal risco para as vendas. Soma-se a isso a concorrência das grandes plataformas online e a insegurança econômica. A pesquisa revela um equilíbrio delicado: de um lado, o consumidor disposto a manter a tradição de presentear; de outro, o comércio operando com cautela.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/dia-das-maes-comercio-mantem-otimismo-cauteloso-para-a-data/