O jornal The Washington Post e documentos da corte americana trouxe ontem e hoje novas evidências que contradizem a versão oficial sobre o incidente qualificado como atentado contra Donald Trump no jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca.
De acordo com declarações oficiais do Departamento de Justiça e alguns documentos judiciais, o suspeito, Cole Tomas Allen, teria disparado sua arma no posto de segurança, ferindo um agente V.G. do Serviço Secreto. Nas próprias palavras do Procurador-Geral Todd Blanche e da Procuradora Federal Jeanine Pirro: “Allen atravessou correndo o posto de segurança ‘portando uma arma longa’, e um agente do Serviço Secreto, identificado como ‘V.G.’, foi atingido uma vez no peito, mas protegido por seu colete”.
Quem atirou no agente V.G.?
Questionamentos de que o agente V.G. não teria sido vítima de um tiro do suspeito, levantados nos últimos dias, parecem ser corroborados por novas evidências diferentes de fontes independentes, ou no mínimo revelam inconsistências relevantes.
A nova tensão probatória ganha sustentação quando, ontem, 29 de abril de 2026, procuradores federais apresentaram uma moção de detenção pré-julgamento de 20 páginas que ofereceu o relato mais detalhado até o momento. Numa mudança notável, este documento não acusou Allen de mirar ou atingir o agente. O texto afirma que Allen disparou sua espingarda “na direção das escadas que levam ao salão de festas”, não necessariamente contra o agente. Este documento também nota que o agente V.G. disparou cinco vezes contra o suspeito.
Mais importante ainda, o depoimento juramentado é omisso sobre quem disparou o tiro que atingiu o agente.
Novas imagens de segurança de alta resolução analisadas pelo Post revelam que não há nenhuma indicação de que Allen disparou sua arma. Em vez disso, a filmagem mostra um oficial de segurança disparando sua pistola múltiplas vezes contra o suspeito, com outros agentes de segurança aparentemente na linha de fogo desse oficial. Essas imagens fornecem a visão mais clara até agora dos quatro segundos entre quando Allen irrompeu de uma porta em plena corrida e quando ele saiu do enquadramento.
O Departamento de Justiça diz que evidências balísticas cruciais “simplesmente desapareceram”.
Em declaração pública, o Procurador-Geral Todd Blanche tentou justificar por que investigadores não conseguiram contabilizar a bala disparada pelo suspeito na cena. Segundo ele, a “bala pode desaparecer”, ou em suas próprias palavras: “Quando você dispara uma bala, a bala termina em algum lugar, às vezes você a encontra, às vezes não… Por exemplo, os chumbos de espingarda, quando são disparados, espalham-se por toda parte e às vezes simplesmente desaparecem, na verdade, dependendo de onde atingem”.
Anomalias deliberadas ou total incompetência?
Dentro deste contexto de evidências fundamentais perdidas e relatos contraditórios, o argumento de bandeira falsa pode se estabelecer na alegação de que estas não são meros erros, mas anomalias deliberadas apontando para um evento encenado, cuja verdadeira natureza deve ser ocultada e não investigada.
Numa entrevista à CBS no domingo à noite, Trump foi perguntado se temia que houvesse vítimas enquanto a elite governamental e midiática de Washington se abaixava para se proteger no jantar de gala no andar de baixo. Ele responde de forma tranquila: “Não estava preocupado. Eu entendo a vida. Vivemos num mundo louco”.
Larry Johnson, ex-agente da CIA, em entrevista a George Galloway, a partir de uma investigação detalhada dos vídeos sobre os fatos ocorridos, tem como conclusão de sua análise que “acredito que foi encenado, planejado com ajuda”. “O sujeito foi encorajado e não sabia que estava sendo usado”. Isso foi feito “para criar fantasia e apoio para Trump”. Segundo ele, essa também teria sido a conclusão de um ex-agente especial do Serviço Secreto do ex-presidente Reagan, que inclusive teria sido um dos idealizadores do protocolo aplicável naquele jantar.
Johnson lembra que o vice-presidente J.D. Vance foi o primeiro a ser escoltado para fora da área, quando o protocolo é imperativo de que o Presidente Trump tem que ser o primeiro na linha de evacuação, inclusive para proteger os demais como alvos de balas perdidas. Autoridades americanas alegam que Vance e Trump têm equipes de segurança separadas que agem de forma independente e que a equipe de Trump teria atuado apenas alguns segundos depois.
De acordo com Johnson, outro aspecto primário do protocolo de segurança que foi inobservado é a falha do perímetro de segurança. A primeira camada é o círculo externo, onde apenas indivíduos credenciados podem entrar. A segunda é a área do salão de festas em si, onde todos os pontos de acesso devem estar cobertos com agentes armados fechando as entradas, com detectores de metal e revista.
🇺🇸 US Attorney Jeanine Pirro just released footage that halts the friendly fire narrative around WHCA shooting.
The video appears to show Cole Allen rushing a checkpoint while firing a rifle.
The evidence seems undeniable at this point.pic.twitter.com/bVFupt4K1m
— Mario Nawfal (@MarioNawfal) April 30, 2026
Johnson explica que Allen atravessou um posto de segurança com uma espingarda à mostra. O protocolo seria atirar nele, não tentar imobilizá-lo, ainda mais quando a versão oficial versava que Allen teria disparado contra um agente. É inimaginável que ele não teria sido baleado. Ele não tinha sangue, nem ferimentos a bala. Ele foi poupado. Completamente poupado, simplesmente imobilizado por agentes do Serviço Secreto antes que pudesse descer uma escadaria até o salão onde Trump estava.
De acordo com um depoimento do FBI, Allen teria enviado um email a membros da família momentos antes do ataque declarando queixas contra políticas da administração Trump, escrevendo: “Eu não sou a pessoa estuprada num campo de detenção. Eu não sou o pescador executado sem julgamento. Eu não sou uma criança escolar explodida ou uma criança faminta ou uma adolescente abusada pelos muitos criminosos desta administração”.
A família imediatamente alertou a polícia de Connecticut. A carta parece fazer referência a detenções de imigrantes, ataques dos EUA contra supostos barcos de drogas no Caribe, o bombardeio de uma escola de meninas no Irã e o escândalo Epstein. Numa aparente referência a Trump, a carta também afirma: “Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor cubra minhas mãos com seus crimes”.
A história americana de operações falsas
Este incidente, se entendido dentro do contexto histórico das operações de inteligência doméstica do pós-Segunda Guerra que moldam as operações da CIA e do FBI, não deve ser descartado como mera incompetência ou falha sem mais investigações, inclusive extra-oficiais. Principalmente se olharmos a história recente de repressão contra a América negra e as táticas de falsificação e criação de facções internas, infiltração e agentes provocadores. O FBI e a CIA normalizaram ações arbitrárias, de bandeira falsa e fraude como política de Estado.
Não se trata apenas dos campos de tortura do Iraque e Afeganistão. Existe uma autorização de ausência da lei no âmbito doméstico também.
No livro “War Against the Panthers”, de Huey P. Newton, e em outros documentos históricos, estão descritas diversas ações orquestradas pelo FBI através do programa COINTELPRO (Counter Intelligence Program). O FBI comumente forjava cartas e documentos anônimos para gerar desconfiança e violência dentro do partido. Também por meio de cartas falsas, agentes do FBI alimentaram uma rivalidade violenta entre os Panteras e outro grupo negro chamado US Organization, liderado por Ron Karenga.
O programa de café da manhã gratuito para crianças era um dos maiores sucessos dos Panteras, ganhando apoio popular. O FBI tentou sabotá-lo, enviando cartas para pais e lojas alertando que o alimento estava “envenenado” ou que o programa era uma tática de doutrinação comunista. A agência também pressionou instituições religiosas e centros comunitários a negar espaço para o programa funcionar.
A infiltração era também uma das principais ações desestabilizadoras que tinham as funções de obter informações e sabotar o partido de dentro e, se fosse preciso, assassinar, como foi o caso de Fred Hampton, drogado em seu apartamento por infiltrado antes de ser assassinado pela polícia.
O poder de Estado sempre foi uma arma de guerra psicológica nos Estados Unidos da América. O Estado americano utiliza-se do aparato de inteligência e policial para sabotar sistematicamente a resistência e conseguir seus objetivos políticos. Se se comprova que se trata de uma bandeira falsa, não seria algo extraordinário.
Trump mais que nunca precisa de uma grandiosa salvação depois da derrota irreversível na sua aventura do Irã, à medida que as eleições de meio de mandato de novembro de 2026 se aproximam com indicações de uma possível derrota republicana que poderia abrir caminho para o impeachment de Trump.
As inconsistências probatórias não podem ser ignoradas. A história americana de operações de bandeira falsa exige que estas evidências sejam investigadas com rigor, não descartadas como incompetência burocrática ou como teoria da conspiração.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/novas-evidencias-contradizem-narrativa-oficial-sobre-atentado-a-trump/

