Trump diz que guerra com Irã “terminou” para driblar aval do Congresso

Fumaça sobe após ataque israelense no dia 08 de março, em um caminhão-tanque no Teerã, Irã. Foto: Majid Asgaripour/WANA

O governo de Donald Trump afirmou ao Congresso dos Estados Unidos que as hostilidades com o Irã “terminaram”, apesar da permanência de forças militares americanas na região. A carta enviada pelo presidente Donald Trump tenta afastar a exigência de autorização parlamentar para a continuidade da guerra.

No documento, Trump escreveu que “as hostilidades que começaram em 28 de fevereiro de 2026 terminaram”. A comunicação foi enviada ao presidente da Câmara, Mike Johnson, e ao presidente temporário do Senado, Chuck Grassley, no dia em que expirava o prazo de 60 dias previsto pela War Powers Resolution.

A lei de 1973 determina que o Congresso declare guerra ou autorize o uso da força em até 60 dias após o início das hostilidades. O prazo terminava nesta sexta-feira (1º), mas parlamentares republicanos não avançaram com uma votação para autorizar ou barrar a operação militar.

Mesmo ao dizer que a guerra terminou, Trump afirmou na carta que a ameaça representada pelo Irã aos Estados Unidos e às Forças Armadas americanas “permanece significativa”. A Casa Branca sustenta que o cessar-fogo iniciado em abril interrompeu ou encerrou a contagem do prazo legal.

Trump anunciou que as "hostilidades acabaram" entre os EUA e o Irã, numa tentativa de driblar o congresso.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto do secretário de guerra e chefe do Pentágono, Pete Hegserth. Foto: Andrea Hanks/Casa Branca

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, defendeu o mesmo argumento em audiência no Congresso. Segundo ele, os Estados Unidos estão em um cessar-fogo, o que faria o relógio legal “pausar ou parar”. A tese é contestada por democratas, que apontam a presença militar americana e o bloqueio naval contra petroleiros iranianos como continuidade das hostilidades.

A oposição acusou Trump de ampliar o poder presidencial sobre decisões de guerra sem aval do Legislativo. O senador democrata Richard Blumenthal afirmou que “não há botão de pausa” na Constituição nem na War Powers Act e disse que o bloqueio é um ato contínuo de guerra.

Alguns republicanos também passaram a cobrar participação formal do Congresso. A senadora Susan Collins, do Maine, votou com democratas para tentar interromper a guerra e disse que a autoridade do presidente como comandante em chefe “não é ilimitada”.

O líder republicano no Senado, John Thune, afirmou que não pretende colocar em votação uma autorização de uso da força contra o Irã neste momento. A decisão mantém o impasse sobre a legalidade da operação iniciada por Trump sem aprovação prévia do Congresso.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-diz-que-guerra-com-ira-terminou-para-driblar-aval-do-congresso/