A coragem da pastora Helena Raquel versus a covardia e o ódio de Malafaia

A pastora Helena Raquel

Silas Malafaia voltou a usar o púlpito como palanque político ao declarar apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Em culto realizado na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Rio de Janeiro, declarou que “esse é o tempo de eu apoiar o Flávio para presidente”.

Ao comentar críticas e pressões de apoiadores, reforçou sua posição. Cuspiu perdigotos, desafinou e distribuiu o ódio habitual contra católicos, STF, e até os bolsonaristas (“Eu não sou manipulado por opinião de bolsominion”, disse).

A atuação de Malafaia segue um padrão conhecido. Voltou a acionar argumentos de fundo religioso para sustentar posicionamentos da extrema-direita. “Querem substituir o modelo judaico-cristão pelo modelo ateísta-humanista. É isso que está em jogo”, falou.

Ainda encontrou espaço para atacar o “marxismo cultural”.

No mesmo fim de semana, outro púlpito foi ocupado com um discurso completamente diferente. No Congresso dos Gideões 2026, em Camboriú (SC), a pastora Helena Raquel abordou um tema que raramente ganha espaço em eventos evangélicos: a violência contra mulheres dentro das próprias igrejas.

Diante de milhares de pessoas, ela foi direta: “Quem agride, mata”. Sem rodeios, orientou vítimas a romper o silêncio: “Não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride, mata. Saia daí”.

Incentivou medidas práticas, como buscar ajuda institucional e denunciar agressores, independentemente de posição dentro da igreja. “A igreja precisa voltar a ser lugar de cura, não de medo”, disse. “Se é pastor, se é obreiro, se é membro… Mas fere, oprime e violenta, isso não é autoridade espiritual. Isso é pecado”.

O discurso de Helena ocorre em um cenário documentado por dados oficiais que atestam o aumento dos casos de feminicídio e de abusos sexuais nos templos.

Malafaia nunca abriu a boca para falar desse drama. Volta e meia cita o tema da pedofilia em ataques à esquerda porque sabe que isso rende clique. Helena Raquel usa seu espaço para tratar de violência concreta dentro da comunidade.

“No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo”, disse Jesus, segundo o Evangelho de João — aquele que Malafaia não leu porque não acredita.

 

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-coragem-da-pastora-helena-raquel-versus-a-covardia-e-o-odio-de-malafaia/