Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (8), o ex-deputado federal e ex-presidente do Partidos dos Trabalhadores (PT) José Genoino analisou a conjuntura política atual, o cenário eleitoral para a reeleição do presidente Lula (PT) e os principais desafios da campanha da esquerda.
Para Genoino, aos acontecimentos nas últimas semanas, como a rejeição de Jorge Messias no Congresso Nacional para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o impedimento da CPI do Banco Master a derrubada do veto do presidente ao PL da Dosimetria, apesar de serem considerados derrotas para o governo, fortalecem a figura de Lula enquanto um líder popular combativo.
“Esse combo vitorioso cantou de galo e decretou, com o apoio da grande mídia, que o governo Lula estava na lona, nas cinzas. Mas aonde vai isso? O PT, corretamente, com os partidos PSOL, PCdoB, entrou com o questionamento da ilegalidade da dosimetria no fatiamento do veto do presidente Lula. E apareceu ontem a continuidade das investigações do Banco Master e revelando a cara do centrão, que é o Ciro Nogueira. Foi ministro de Bolsonaro, era falado como o provável vice de Flávio Bolsonaro, e colocou em pavorosa a aliança centrão e bolsonarista, passando pelo Congresso, passando por setores do Supremo e passando pelo debate político que o Brasil atravessa”, pontua Genoino.
“Então, essas duas semanas mostram que Lula está com a oportunidade histórica de ganhar essa eleição se ele aprofunda o programa, se ele define os objetivos, se ele clareia com quem vai estar aliado e se ele ocupa essa grande avenida que é dialogar com o povo, com a classe trabalhadora, dialogar com novas exigências dos trabalhadores que vão se beneficiar com a fim da jornada 6×1, dos trabalhadores em aplicativos, com os investimentos estratégicos em áreas da soberania nacional como terras raras, como a questão de rever algumas privatizações”, analisa o ex-deputado.
Portanto, Genoino defende que a pauta está “se clareando” e cabe a Lula como “líder político” ter “sensibilidade para navegar nas águas turbulentas a favor de uma caminhada vitoriosa para 2026 para derrotar a extrema direita e parte do centrão”.
A conjuntura está favorável, mesmo com as derrotas da semana passada. Esses novos ventos desta semana mostram que a conjuntura de oportunidade está clareando para o Lula ter um grande papel como líder popular, como grande estadista. Agora ele precisa ocupar esse papel, ele precisa delinear esse caminho, e eu acho que é disso que se trata. Para isso ele tem que renovar o comando político que trabalha em torno dele”, defende Genoino.
Relação com os Estados Unidos
Genoino também analisou o encontro de Lula com o presidente Donald Trump nesta quinta-feira (7) e avaliou como positiva a reunião dos dois chefes de Estado.
“A conjuntura da presença dele [Lula] nos Estados Unidos foi muito positiva. Primeiro porque o Trump quis fazer esse encontro porque ele estava abatido pelo fracasso da guerra do Irã. Então, ele quis mudar a agenda para fazer um encontro com o Lula em que o assunto não fosse a guerra do Irã”, afirmou Genoino.
Para o ex-deputado, apesar da tensão entre Brasil e Estados Unidos após uma série de ameaças de Trump, Lula soube se impor e colocou a agenda do país no debate “tendo como pano de fundo a soberania nacional e a solidariedade aos países que estão sendo atacados”, de acordo com Genoino.
“Eu acho que foi muito importante esse encontro do ponto de vista da abertura de uma agenda alternativa para discutir o futuro do Brasil. Em vez de ficar discutindo as alianças provincianas, as alianças meramente eleitoreiras, você bota na pauta assuntos macro para discutir o futuro e o programa do país. Eu acho que foi muito importante comparando essas duas semanas”, analisa Genoino.
Por outro lado, o ex-deputado pontua que o Brasil, assim como o mundo, vive uma crise marcada pela surpresa e imprevisibilidade. “Por isso que a gente tem que se consolidar naquilo que é permanente, naquilo que é o nosso campo, naquilo que são os nossos valores e os nossos objetivos”, diz Genoino. Nesse sentido, o ex-deputado defende que o governo Lula deveria reformular sua coordenação política.
“O governo deveria estabelecer limites para as alianças nos Estados. Não dá para a gente fazer uma aliança como foi a de 2022 só para conter a ameaça fascista. Conter a ameaça fascista é uma exigência, mas nós temos que aprofundá-la para discutir quais as transformações, quais as mudanças estruturais, como enfrentar essa crise do neoliberalismo, como enfrentar a crise da hegemonia americana ocidental, como enfrentar a integração latino-americana, como tocar em temas como terras raras”, afirma Genoino.
Senado
Genoino também analisou o cenário para a eleição ao Senado Federal e afirmou que é possível o campo progressista eleger maioria nas eleições de outubro se for feita uma aliança entre a esquerda, centro-esquerda e setores liberais que não são vinculados, militantemente, à ala do centrão bolsonarista e do próprio bolsonarismo.
“Nós vamos ter que fazer uma campanha casada, casar a campanha de senadores com governadores e com o presidente da República”, defende Genoino. Além disso, o ex-deputado defende que a campanha seja mais afirmativa e propositiva, que “radicalize a luta democrática, a luta pela soberania nacional e a pauta do povo”.
“Eu acho que se a gente fizer um novo modelo de campanha e esse novo modelo é o que aconteceu em 2006 – quando parte da classe dominante queria que o Lula não disputasse em 2006 a reeleição – e o modelo de campanha de 1989. Se a gente juntar 2006 com 1989, nós temos um modelo de campanha politizada, estimulante, sonhadora, que possa disputar parte do eleitorado que está, pelas pesquisas, opinando pelo abstencionismo, pelo negacionismo de não votar em ninguém. Eu acho que é possível”, afirmou Genoino.
Confira a entrevista completa do ex-deputado José Genoino
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/lula-oportunidade-historica-ganhar-eleicao-aprofundar-pauta-popular-genoino/

