O agronegócio, que teve grande peso nas eleições passadas com o apoio de Jair Bolsonaro, será agora um dos maiores palcos de disputa nas eleições de 2026. O segmento, com suas tradicionais festas e rodeios, promete dividir atenções entre os pré-candidatos à presidência pelo extremismo de direita, como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
Estes nomes se destacam ao disputar o eleitorado do amante do chapéu e da botina, buscando apoio nas grandes festas como a Festa do Peão de Barretos e a Agrishow. Em 2026, a temporada de rodeios e feiras agropecuárias já está a todo vapor.
A Agrishow, em Ribeirão Preto, foi o primeiro grande evento a reunir os pré-candidatos, com Flávio, Zema e Caiado aparecendo em dias separados. Flávio Bolsonaro, acompanhado do governador paulista Tarcísio, fez um discurso destacando a importância do agro para o Brasil, dizendo: “O agro não é vilão, é solução para o nosso Brasil”.
No evento, Zema também aproveitou a oportunidade para criticar o governo Lula, chamando-o de “pai dos bilionários” e prometendo reduzir pela metade a taxa de juros para o agro.
Já Caiado, outro pré-candidato que deseja conquistar o setor, se destacou como o único a se vestir com uma camisa dizendo “Chega de intocáveis”, fazendo referência aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e reforçou a imagem de “agro raiz” durante o evento.
O clima em Barretos, o maior rodeio da América Latina, promete ser igualmente quente em 2026. Para o evento, que tradicionalmente é um reduto do bolsonarismo, os pré-candidatos de direita têm suas agendas se aproximando.

Caiado já confirmou presença, inclusive com planos de participar da cavalgada ao lado do cantor Gusttavo Lima, que será o embaixador do evento. O presidente da associação organizadora de Barretos, Jerônimo Luiz Muzeti, deixou claro que o evento não terá uma preferência partidária, afirmando que o foco é promover o agronegócio e as tradições.
“A festa não tem qualquer posicionamento partidário. Nosso foco é promover o entretenimento, valorizar o agronegócio e preservar as tradições, mantendo o evento como um espaço democrático, respeitoso e aberto a todos. Todo candidato que quiser nos visitar será muito bem recebido, independentemente de partido, assim como em todos os anos nós convidamos o presidente”, disse Muzeti.
Lula, que tem enfrentado resistência do setor agropecuário, foi o único dos principais líderes que não compareceu ao evento. Em 2026, o presidente não deverá estar presente na Agrishow nem na Festa do Peão de Barretos, eventos que ele já evitou em anos anteriores.
No entanto, os especialistas veem esses eventos como um campo fértil para a competição interna. O cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), alertou que a disputa entre os três candidatos da direita pode acirrar ainda mais as tensões, à medida que todos tentam conquistar os votos do agro.
“Precisa ver se vai haver um pacto de não agressão entre eles ou se essa disputa pelo mesmo voto não vai causar uma erosão. Os três aparecem competitivos contra o Lula e isso pode acirrar a competitividade”, disse ele.
Para o cientista político Murillo de Aragão, as feiras e festas como Barretos são fundamentais para consolidar a presença do agro na política. Ele acredita que, mesmo com toda a resistência, Lula deveria participar desses eventos para demonstrar que também valoriza o agro. “Mesmo que fosse sem discurso, em uma situação mais controlada, já que ele não tem tanta aceitação.”, afirmou ele.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/organizador-de-barretos-diz-que-festa-nao-tem-carater-partidario-e-clima-esquenta-entre-flavio-bolsonaro-zema-e-caiado/

