Uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Datafolha, revelou que cerca de 68 milhões de brasileiros vivem em áreas com presença de facções criminosas e milícias. O número corresponde a 41% da população do país, e, entre eles, quase metade considera a atuação desses grupos como “visível” ou “muito visível”.
O presidente do Fórum, Renato Sérgio de Lima, apontou que o Brasil enfrenta um momento de consolidação criminal, com organizações como o PCC e o Comando Vermelho, além de outras 30 a 40 facções, assumindo o controle de vários aspectos da vida cotidiana.
Ele comparou a situação atual com os temores da população, que hoje lida com crimes mais estruturados e cadeias criminosas organizadas, como o roubo de celulares, que se transformou em um negócio que inclui fraudes bancárias e outros crimes conexos.
A pesquisa também mediu o impacto das facções e milícias na convivência local. Cerca de um terço dos entrevistados disse que o crime organizado tem grande influência nas regras de convivência do bairro. Quando somados os impactos “moderados” e “um pouco”, mais da metade da população de áreas afetadas relatou sentir a presença e a influência dessas organizações em seu cotidiano. O controle das facções vai além da segurança e afeta a economia e a mobilidade das pessoas.
“O momento atual que o Brasil vive é de consolidação criminal em torno de organizações que, de certa forma, têm controlado territórios, mercados, economias e, sobretudo, a vida da população. Não é simplesmente o medo do assaltante, do trombadinha, como era nos anos 70 e 80. Hoje são negócios que respondem às dinâmicas do crime organizado”, explicou Renato.

A pesquisa identificou também que a violência impacta diretamente a rotina da população, com muitos cidadãos mudando seus comportamentos para evitar riscos. Segundo Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum, a violência também prejudica o bem-estar psicológico das pessoas que vivem nessas regiões, que passam a ter suas liberdades e mobilidade restritas.
“O medo da violência faz com que as pessoas alterem seus comportamentos. Elas têm sua mobilidade reduzida, o que traz prejuízos do ponto de vista psicológico e econômico, elas deixam de consumir, de circular em determinados espaços. Então, o recado aqui é que o medo importa”, apontou.
Além disso, um pequeno percentual de entrevistados, cerca de 12%, afirmou que foram forçados a contratar serviços oferecidos por facções, como TV a cabo, internet e eletricidade, e 9% indicaram que precisaram comprar produtos específicos nos comércios locais controlados por criminosos.
Apesar de ser uma “notícia positiva”, segundo Samira, essa prática ainda é limitada a algumas áreas e representa uma forma de exploração cada vez mais presente nas regiões dominadas por facções.
O levantamento do Datafolha foi contratado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública para auxiliar nas discussões sobre segurança pública nas eleições de 2026. O relatório destaca que muitos candidatos têm adotado uma postura de culpar adversários ou outros entes federativos pelo crescimento do crime organizado, ao invés de buscar uma colaboração ativa para o combate a essa questão.
Segundo a pesquisa, a segurança pública não pode ser tratada apenas como uma promessa de confronto ou endurecimento penal. Realizado com 2.004 entrevistas presenciais em 137 municípios de todo o Brasil, o levantamento tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/68-milhoes-de-brasileiros-vivem-em-locais-dominados-por-faccoes-e-milicias-diz-datafolha/

