O policial militar da reserva Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recebeu R$ 6.300 de uma empresa de estética apontada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como parte da estrutura usada para lavar dinheiro do ex-PM Adriano da Nóbrega, miliciano morto em 2020. A informação consta de relatório do Coaf usado na Operação Legado, deflagrada em março pelo MP-RJ, e foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
A transferência ocorreu em julho de 2017, quando Queiroz trabalhava na Alerj como chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro. Segundo a investigação, o pagamento partiu da S. C. da Silva Estética Pessoal, nome formal de um quiosque de design de sobrancelhas que funcionou em um shopping da zona norte do Rio.
Queiroz não foi denunciado na Operação Legado, e sua conduta não foi analisada no processo. O nome dele, no entanto, aparece no documento de inteligência que deu origem ao inquérito e no relatório financeiro sobre a movimentação da empresa de estética.
De acordo com o MP-RJ, a empresa pertence a Shirlei Costa da Silva, irmã de Márcio Carneiro Ferreira da Silva, apontado pela Promotoria como responsável por operar empresas fantasmas usadas na lavagem de dinheiro atribuída às atividades ilegais de Adriano da Nóbrega.

Relatórios do Coaf indicam que a empresa de estética movimentou mais de R$ 2 milhões em créditos entre abril de 2017 e dezembro de 2018, com valor semelhante em débitos. A maior parte das saídas ocorreu por meio de saques em dinheiro vivo. Para o MP-RJ, havia “incompatibilidade entre o volume de recursos e o tamanho do negócio”.
A mesma empresa também transferiu R$ 38,4 mil para uma pizzaria em nome de Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano da Nóbrega e ex-assessora de Flávio Bolsonaro na Alerj. Raimunda está entre os denunciados na Operação Legado.
Fabrício Queiroz foi apontado pelo MP-RJ, em denúncia apresentada em 2020, como operador do suposto esquema de “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Segundo a acusação, o então deputado estadual teria desviado R$ 6 milhões dos cofres públicos por meio do recolhimento de salários de funcionários fantasmas. O caso foi arquivado após a anulação das provas pela Justiça. Queiroz e Flávio Bolsonaro sempre negaram as acusações.
Procurado, Queiroz afirmou que não é investigado no caso. “Não sou investigado por nenhuma dessas falsas acusações. Peço que me deixe em paz para tomar conta da minha vida e cuidar da minha família.” Flávio Bolsonaro declarou, em nota, que “não possui qualquer relação com os fatos mencionados e que jamais teve conhecimento ou participação em atividades ilícitas atribuídas a Fabrício Queiroz ou a Adriano da Nóbrega”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/empresa-ligada-a-miliciano-pagou-queiroz-quando-ele-chefiava-gabinete-de-flavio-bolsonaro/

