Da rachadinha à vingança: Michelle e a higienização do bolsonarismo. Por Nathalí

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Foto: reprodução

Enquanto Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ocupam as manchetes com o escândalo do Banco Master — acerca do qual ainda há muito a ser revelado — Michelle Bolsonaro come pelas beiradas.

Não à toa, saiu relativamente preservada da repercussão do caso, direto para um projeto de higienização do bolsonarismo. Assim, na cara dura.

Logo após o vazamento dos áudios obscenos enviados por Flávio ao banqueiro, a ex-primeira-dama passou a ser apontada como possível candidata a vice em uma chapa encabeçada por Tereza Cristina.

O motivo é simples: Michelle saiu menos “contaminada” pela crise enquanto Flávio afunda.

Michelle, a gente sabe o que você fez no verão passado. Nossa memória não é tão curta quanto lhe parece. Em outras palavras: não tem nenhum otário aqui.

A ex primeira-dama passou a agradar parte do Centrão e entrou na mira da articulação política que, segundo o Metrópoles, envolve lideranças do Centrão e agentes do mercado financeiro.

Tereza Cristina, aliás, agrada exatamente a quem precisa agradar: mercado financeiro, agronegócio e Centrão.

Já Michelle aparece como uma bolsonarista moderada: bela, recatada e do lar, quase desvinculada da podridão da família — não por acaso, mas como parte de um projeto político cuidadosamente construído.

As intenções sempre estiveram ali. E o escândalo do Banco Master pode ter aberto a brecha ideal para transformar ambição em oportunidade.

Mas quem é Michelle Bolsonaro para querer ser vice-presidente do Brasil?

Jair e Michelle Bolsonaro se beijando. Foto: reprodução

Ela cresceu dentro do PL Mulher, construindo a imagem de mulher correta, religiosa e conservadora, enquanto preparava terreno para uma futura candidatura. E eu já havia cantado essa pedra aqui no DCM quando ela começou a percorrer o país em eventos evangélicos.

Sem experiência administrativa relevante, sem habilidade política evidente e com uma cara de pau que lhe é característica, Michelle entra na política acreditando que sua imagem pública bastará para torná-la viável eleitoralmente – e quem sabe se não bastará.

Nas igrejas e nos eventos do PL Mulher, prevalece a figura da mulher conservadora e bem-comportada. E, na falta de algo melhor, aliados do bolsonarismo começam a enxergá-la como alternativa aceitável.

O bolsonarismo emocional que Michelle tenta construir — um bolsonarismo moderado, que não grita, não suja as mãos de sangue nem as roupas de farelo, que não veste a brutalidade explícita dos filhos de Jair Bolsonaro — é perigosíssimo para um país que acredita ter se livrado da familícia, mas está longe disso.

Nada seria mais conveniente para o bolsonarismo do que uma conservadora educada, defensora da moral e dos bons costumes, que aparenta distância da sordidez da família, embora funcione apenas como um braço do corpo doente do bolsonarismo.

O Brasil que com S, que tanto quis Bolsonaro na cadeia, certamente não teme: saberá reconhecer o bolsonarismo maquiado que Michelle tenta lhes empurrar goela abaixo.

Quem teme, e com razão, é Flávio Bolsonaro. É hora de testar a lealdade de Michelle à família — e algo me diz que ela não passa.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/da-rachadinha-a-vinganca-michelle-e-a-higienizacao-do-bolsonarismo-por-nathali/