Ato pede a criação de parque ambiental do Ariri em Belém

Um ato público realizado neste sábado (16) reuniu representantes do poder público, universidades, movimentos sociais e moradores em defesa da criação do Parque Ariri, uma área estratégica de preservação ambiental localizada na divisa entre o Coqueiro e o Maguari, na Região Metropolitana de Belém.

A iniciativa busca transformar a região em uma unidade de conservação, garantindo proteção à biodiversidade e melhoria da qualidade de vida da população.

A secretária municipal de Meio Ambiente de Belém, Juliana Nobre, destacou que a proposta surgiu a partir de demandas da própria comunidade. Segundo ela, há interesse da prefeitura em avançar com a criação da área protegida.

“A cidade precisa ampliar suas áreas verdes urbanas. A preservação das florestas contribui diretamente para o microclima, reduz ilhas de calor e ajuda a enfrentar problemas como enchentes”, afirmou.

De acordo com a secretária, a manutenção da vegetação e da bacia do rio Ariri é essencial também para a saúde da população. “Preservar o rio significa evitar poluição e garantir qualidade de vida. É necessário proteger toda a área ao redor para manter esse ecossistema funcionando”, completou.

A mobilização também conta com o apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos. A titular, Larissa Martins, explicou que a criação do parque depende de estudos técnicos e da publicação de um decreto municipal. A proposta inclui delimitação da área, consulta pública e definição de regras de uso. “Isso vai ajudar a evitar invasões e desmatamento, além de organizar o crescimento urbano com responsabilidade”, ressaltou.

Do ponto de vista acadêmico, o professor André Farias, da Universidade Federal do Pará (UFPA), afirma que a área pode ultrapassar 300 hectares de proteção, conectando territórios de Belém e Ananindeua.

“Estamos falando de um espaço fundamental para reduzir o calor urbano, absorver carbono e preservar nascentes que influenciam diretamente o abastecimento de água da região”, explicou.

O professor também enfatizou o papel das universidades na produção de conhecimento e ações de extensão junto à comunidade.

“É preciso entender as espécies presentes, os impactos sociais e a pressão urbana. A ciência ajuda a embasar decisões mais sustentáveis”, afirmou.

Representando o Instituto Ariri Vivo, Milton Catete lembrou que o parque já está previsto no Plano Diretor desde 2008, mas nunca saiu do papel. “Agora avançamos com a minuta do decreto e a expectativa é realizar audiência pública nos próximos meses. Esse é um passo importante para transformar esse projeto em realidade”, disse.

Entre os moradores, o apoio à criação do parque é grande. Pilar Farias, 35, vive há 16 anos no Conjunto Satélite, acredita que a preservação da área é essencial para o bem-estar da população.

“Aqui ainda sentimos menos calor por causa das árvores. Se derrubarem essa área, o impacto será enorme para todos. A gente precisa proteger o que ainda temos. Quanto mais árvores, melhor para todo mundo. É qualidade de vida”, declarou.

Ela também destacou que a mobilização comunitária tem sido fundamental para impedir ocupações irregulares e reforçar a importância da preservação ambiental.

Depois da audiência pública e consulta aos órgãos de controle, se houver consentimento das partes, o projeto deve ser enviado pela Semma para decreto do prefeito de Belém, Igor Normando.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/ato-pede-a-criacao-de-parque-ambiental-do-ariri-em-belem/