Como João Doria, Zema esqueceu de combinar com o gado. Mas não parece preocupado.
O ex-governador de Minas Gerais decidiu ampliar o distanciamento político da família Bolsonaro após a divulgação de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master. A movimentação ocorre em meio às articulações para a eleição presidencial de 2026.
Segundo interlocutores de Zema, o movimento consolidou a pré-candidatura do ex-governador à Presidência da República e afastou a possibilidade de participação como vice em uma eventual chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro. Integrantes do PL avaliavam que Zema poderia fortalecer a candidatura no eleitorado mineiro, segundo maior colégio eleitoral do país.
O ex-governador criticou publicamente as mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro sobre pedidos de recursos a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. “Flávio Bolsonaro, ver você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. Para mudar o Brasil, é preciso credibilidade”, declarou Zema.
Aliados do político mineiro afirmaram que a tendência é de ampliação das críticas ao senador do PL nos próximos meses. Segundo integrantes da campanha de Zema, o afastamento de Flávio Bolsonaro passou a ser tratado como estratégico dentro do projeto presidencial do Partido Novo.

A postura do ex-governador provocou reações internas no Partido Novo, especialmente em diretórios estaduais do Sul do país, onde há maior alinhamento político com Jair Bolsonaro e seus aliados. Dirigentes do partido no Paraná e em Santa Catarina manifestaram preocupação com possíveis impactos em alianças regionais.
Até o momento, Romeu Zema não comentou publicamente as críticas feitas por integrantes do próprio partido. O caso aprofundou divergências internas dentro do Novo sobre a relação da legenda com o bolsonarismo durante o processo eleitoral de 2026.
Flávio Bolsonaro reagiu às declarações do ex-governador nesta sexta-feira (15). O senador afirmou que Zema agiu de forma precipitada ao comentar o caso. “Ele (Zema) foi precipitado. É uma pessoa nova na política, mas precisa entender que ele também tem uma grande responsabilidade de ajudar os brasileiros a se livrarem do PT”, disse a jornalistas.
Antes da divulgação das mensagens envolvendo Daniel Vorcaro, integrantes do PL ainda discutiam a possibilidade de aproximação eleitoral entre Zema e Flávio Bolsonaro para 2026. Após o episódio, aliados do ex-governador passaram a defender um posicionamento independente em relação ao grupo bolsonarista.
Zema viu sangue na água, para usar uma expressão do universo político, e decidiu arriscar. João Doria se deu mal ao trair o clã Bolsonaro, a ponto de ter de abandonar a vida pública. A conferir o que vai acontecer com o mineirinho.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/zema-abandona-flavio-bolsonaro-e-segue-caminho-que-isolou-joao-doria/

