O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) levantou novos questionamentos sobre a empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, e dirigente da ONG Instituto Conhecer Brasil, que mantém contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades periféricas.
Em publicação nas redes sociais, Bonduki afirmou que Karina viveu por décadas em uma residência simples na Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, mas teria deixado de utilizar oficialmente esse endereço após o início da execução do contrato milionário com a gestão Ricardo Nunes (MDB).
“Karina ter um padrão de vida modesto não é problema algum. Inclusive, é até o esperado de dirigentes de organizações sociais sem fins lucrativos. O que soa estranho é o ecossistema que essa moça movimenta e a quantidade de recursos envolvidos”, escreveu.
Segundo Bonduki, Karina declarou em um processo de usucapião movido no fim de 2024 que morou no imóvel por ao menos 36 anos. A mãe dela, Regina, também viveria no local, situado em um terreno pertencente à Prefeitura.
O vereador afirma que, após o início do contrato de Wi-Fi público, Karina passou a informar como residência um endereço na Rua Haddock Lobo, nos Jardins, próximo à Avenida Paulista. O imóvel, segundo ele, foi alugado justamente pela ONG para funcionar como escritório do projeto financiado com recursos públicos.
“O novo endereço declarado pela responsável pelo filme ‘Dark Horse’ passou a ser justamente o imóvel alugado pela ONG como escritório do projeto de Wi-Fi, pago com recursos da Prefeitura”, afirmou Bonduki. Segundo ele, despesas como aluguel, condomínio, energia elétrica e até o depósito caução de R$ 18 mil teriam sido custeadas com dinheiro do contrato público.
O parlamentar questionou a estrutura operacional da organização. “Por que a Prefeitura está repassando milhões para uma organização que aparentemente não possui sequer uma sede funcional própria? Por que Karina passou a utilizar o endereço comercial do projeto como residência? Como um projeto tão mal estruturado foi aprovado?”, escreveu.
Bonduki também levantou dúvidas sobre a relação entre o escritório da ONG e a produção do filme sobre Bolsonaro. “A produção operacional do filme também funcionava nesse endereço?”, questionou.
Karina Ferreira da Gama aparece como responsável pela Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, projeto que recebeu ao menos R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após pedidos feitos por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo reportagens do Intercept Brasil.
O Instituto Conhecer Brasil é alvo de inquérito do Ministério Público de São Paulo para investigar suspeitas de irregularidades no contrato de Wi-Fi firmado com a Prefeitura. A investigação foi aberta após representação encaminhada por Bonduki.
“Vou continuar investigando esse caso e cobrando providências, como venho fazendo desde o ano passado, quando essa história começou a vir à tona”, afirmou o vereador.
Essa é a casa de Karina Ferreira da Gama, que assinou junto com Eduardo Bolsonaro um contrato multimilionário para produzir o filme sobre Bolsonaro. Ela também é dona da produtora responsável pelo longa e da ONG envolvida no caso que mantém um contrato de MAIS DE R$ 100 MILHÕES… pic.twitter.com/rSVIqApYuN
— Nabil Bonduki 🏡 (@NabilBondukiSP) May 17, 2026
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/produtora-de-filme-de-bolsonaro-passou-a-usar-endereco-bancado-pela-prefeitura-de-sp-diz-vereador/

