A Justiça voltou a não conseguir intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) em uma apuração preliminar aberta no STF sobre possíveis irregularidades na execução de emendas destinadas à produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. O endereço informado pela Câmara dos Deputados ao Supremo não é mais do parlamentar há ao menos dois anos.
Segundo relato de um oficial de Justiça, o gabinete de Frias foi contatado no dia 13 de maio, mas uma secretária informou que o deputado estava em missão internacional e que não havia previsão de retorno ao Brasil. Um assessor também foi procurado, mas o celular estava desligado.
Na segunda-feira (18), o servidor foi ao endereço repassado pela Câmara em Brasília. No local, o zelador informou que o parlamentar não residia ali havia pelo menos dois anos. “Sem êxito no cumprimento da diligência, devolve-se o presente mandado”, registrou o oficial.
A tentativa de intimação ocorre após decisão do ministro Flávio Dino, que determinou em março que Mário Frias se manifestasse em cinco dias sobre os fatos relatados pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). A parlamentar pediu apuração sobre repasses de emendas para a ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora de “Dark Horse”.

Produtor executivo do filme, o deputado teria destinado R$ 2 milhões em duas emendas para a entidade. O longa entrou no centro da crise depois de reportagens revelarem que a produção teria recebido recursos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso em Brasília. Mário Frias admitiu em vídeo ter tido contato com o banqueiro.
O caso também envolve Flávio Bolsonaro, que admitiu ter intermediado negociações e cobrado pagamentos de Vorcaro. Segundo a apuração, o banqueiro chegou a repassar cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso.
Em abril, o STF já havia registrado três tentativas frustradas de intimar Mário Frias no gabinete parlamentar. Depois disso, Flávio Dino determinou que a Câmara informasse os endereços do deputado em Brasília e em São Paulo.
A Câmara afirmou ao Supremo que analisou as duas emendas citadas por Tabata Amaral e não encontrou irregularidades. A área técnica da Casa disse que a prestação de contas ainda está em curso e que caberá às entidades beneficiadas demonstrar a aplicação adequada dos recursos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/justica-nao-encontra-mario-frias-para-explicar-verba-de-vorcaro-em-dark-horse/

