Quem é o deputado do PP que usou verba parlamentar para alugar salão da própria tia

O deputado federal Átila Lira. Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

O deputado federal Átila Lira (PP-PI) usou recursos da cota parlamentar para alugar duas salas comerciais pertencentes a uma tia. Entre fevereiro de 2023 e março de 2026, a Câmara dos Deputados reembolsou R$ 135 mil ao parlamentar pelos gastos com os imóveis.

As regras da Câmara proíbem o reembolso de despesas quando o “locador ou assemelhado” é parente do deputado até o terceiro grau. Procurada, a Casa confirmou ao Metrópoles a vedação.

Ao todo, foram reembolsados 33 recibos referentes à locação das salas. Três documentos estavam em nome de Yara Maria Lira Paiva e Silva, tia do parlamentar. Outros 30 foram emitidos em nome da prima do deputado, indicada como curadora da proprietária. Em média, a Câmara pagou cerca de R$ 4 mil por mês a Átila Lira.

Os gastos começaram em fevereiro de 2023, logo após o parlamentar assumir o mandato na Câmara. Antes disso, na legislatura anterior, o pai dele, que também se chama Átila Lira e foi deputado federal até 2022, já alugava o mesmo espaço.

Até junho de 2022, o pai do atual deputado pagava R$ 1,2 mil por mês pelas mesmas duas salas, alugadas da irmã. A partir de fevereiro de 2023, quando o filho assumiu a cadeira na Câmara, o valor mensal subiu para R$ 4 mil. Em março de 2026, o aluguel chegou a R$ 4.427,64.

Os dois “Átila Lira”. Pai já foi deputado. Foto: reprodução

As salas ficam em um prédio comercial no centro de Teresina, capital do Piauí. Além do aluguel, o gabinete de Átila Lira usou mais de R$ 31 mil da cota parlamentar para pagar taxas de condomínio das unidades.

A cota parlamentar é uma verba indenizatória destinada ao custeio de despesas relacionadas ao exercício do mandato. Ela pode ser usada, por exemplo, para reembolsar gastos com aluguel de veículos, combustível, alimentação e manutenção de escritórios políticos.

Em nota, a Câmara dos Deputados informou que o Ato da Mesa 43/2009, que regulamenta o uso da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, proíbe o reembolso de despesas com bens ou serviços de empresas pertencentes ao deputado, a parentes até o terceiro grau ou a servidores da Casa.

“O parlamentar assume inteira responsabilidade pela nota fiscal que apresenta (art. 4º do Ato da Mesa 43/2009) e sua compatibilidade com as normas. Cabe à Câmara, no âmbito administrativo, verificar a regularidade fiscal e contábil da documentação comprobatória dos gastos (§10 do art. 4º do Ato da Mesa 43/2009)”, destacou.

A Câmara afirmou ainda que os gastos com a cota parlamentar ficam disponíveis à fiscalização pública no Portal da Câmara. “Em caso de identificação de eventual irregularidade no sistema de cotas, a Câmara suspende imediatamente o reembolso. Se o valor já tiver sido restituído ao parlamentar, a instituição solicita formalmente a devolução”, completou.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/quem-e-o-deputado-do-pp-que-usou-verba-parlamentar-para-alugar-salao-da-propria-tia/