Vorcaro protegeu Cláudio Castro e o deixou fora de delação premiada; entenda

Daniel Vorcaro e Cláudio Castro. Foto: reprodução

A proposta de delação premiada entregue por Daniel Vorcaro no início do mês e rejeitada pela Polícia Federal (PF) no último dia 20 omitia o envolvimento de Cláudio Castro (PL) no esquema que captou R$ 3,69 bilhões do Rioprevidência para o Banco Master em troca do pagamento de propina.

O papel do ex-governador do Rio de Janeiro nas operações foi detalhado pela PF na representação que embasou a operação contra Castro e outros sete alvos na última terça-feira (26). A investigação também cita o aporte de R$ 218 milhões em letras financeiras do banco de Vorcaro por meio da Cedae, estatal de tratamento de água do estado.

Segundo fontes a par do conteúdo da delação rejeitada, o ex-dono do Banco Master chegou a mencionar Castro nos anexos enviados à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas apenas no contexto do convênio firmado entre o governo do Rio e o Credcesta.

O Credcesta é um programa de consignados gerenciado pelo Master, com origem na Bahia, que foi expandido para outros 23 estados. A modalidade oferece crédito consignado e cartões a servidores, aposentados e pensionistas, com desconto em folha. Em diversos estados, incluindo o Rio, houve denúncias de práticas abusivas.

Ao tratar dos aportes do Rioprevidência no Master, Vorcaro atribuiu a outro político o controle sobre o fundo de pensão: Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, aliado de Castro e pré-candidato a deputado federal pelo Rio.

Nos bastidores da política e do Judiciário fluminense, a influência de Rueda sobre o Rioprevidência e outros espaços da máquina pública estadual já era comentada. Fundos de pensão de estados governados ou influenciados pelo União Brasil, como Amapá e Amazonas, além de cidades como Maceió, também fizeram aportes relevantes no Banco Master.

Daniel Vorcaro durante depoimento antes da prisão definitiva. Foto: reprodução

Aos investigadores, Vorcaro atribuiu a Rueda movimentações para a substituição na cúpula do Rioprevidência no período anterior ao credenciamento do Master e ao início da injeção de recursos do fundo no banco. Procurado, Rueda negou ter relação com indicações de diretores do fundo de pensão.

As informações usadas pela PF foram extraídas do celular do ex-banqueiro. Um dos fatores que levaram à rejeição da proposta de delação foi o entendimento de que Vorcaro não apresentou novidades relevantes além do que já constava da investigação, a partir dos sete aparelhos apreendidos com ele.

Nos bastidores, Castro costumava dizer a quem questionava os investimentos arriscados do Rioprevidência no Master que, em caso de problema, a carteira de consignados do Credcesta poderia cobrir eventuais perdas. Após a liquidação do banco, a Justiça do Rio autorizou o fundo a reter valores descontados, mas a medida dificilmente cobrirá os quase R$ 3,7 bilhões aplicados.

O advogado de Vorcaro, Sérgio Leonardo, retomou conversas com a PGR nesta semana para discutir uma nova proposta de colaboração. A Polícia Federal também passou a sinalizar disposição para voltar à mesa de negociação. Caso avance, o ex-banqueiro terá de esclarecer se há novos elementos sobre sua relação com Castro e os investimentos do governo do Rio no Master.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/vorcaro-protegeu-claudio-castro-e-o-deixou-fora-de-delacao-premiada-entenda/