O Comando Militar da Amazônia Oriental realizou, em Belém, uma formatura em homenagem ao Dia Internacional dos Peacekeepers da ONU. A cerimônia ocorreu na Praça da Bandeira, que voltou a receber o público após um ano fechada. O ato reuniu militares de diferentes organizações da guarnição e também marcou a retomada de um dos espaços históricos da capital paraense.
Ao todo, 273 militares participaram da solenidade. Entre eles, estava o Grupamento de Peacekeepers, formado por veteranos que já atuaram em missões de paz das Nações Unidas. Além disso, estudantes da Escola Estadual Paes de Carvalho acompanharam o momento cívico-militar e participaram do destaque da programação: o hasteamento da Bandeira Nacional no espaço recém-reaberto.
Significado da data e participação brasileira
O Chefe do Estado-Maior do CMAO, General de Brigada Renato Farias Bazi, presidiu a solenidade e reforçou o significado da data. “Nesse dia, nós comemoramos os nossos soldados que combateram nas missões de paz ao longo de todas essas décadas em que o Brasil participa; celebramos também o esforço das Nações Unidas em manter e recuperar a paz e reconstruir as nações atingidas por guerras”, afirmou.
Um dos pontos mais simbólicos da cerimônia foi a presença do Grupamento de Peacekeepers. Os militares do CMAO e da guarnição de Belém já vestiram a tradicional boina azul da ONU em operações internacionais realizadas em diferentes países. Para esses soldados, a data representa memória, reconhecimento e orgulho.
Experiência no Haiti e o papel da família
Entre eles estava o Coronel Moreira, chefe do Estado-Maior da 8ª Região Militar e veterano das operações de paz. O militar relembrou sua experiência no Haiti, onde integrou o 26º contingente da força de paz, em 2017, último grupo brasileiro da missão.
“Em 2017, eu tive a grata satisfação e honra pessoal e profissional de ser um combatente da paz, um peacekeeper. Participei do 26º contingente da força de paz do Haiti, o último contingente, atuando na transição segura da proteção. Foram obras, apoios, ações humanitárias, diuturnamente, 7 dias por semana ao longo de 5 meses e meio que o nosso contingente ficou naquele país”, relatou.
O coronel também destacou o impacto emocional da missão e o papel decisivo da família nesse processo. “O sentimento é de gratidão pela força. É uma missão real em que o apoio da família também é fundamental; ela é nosso pilar e entende isso muito bem. E o dia de hoje vem nos rememorar esses dias marcantes no território caribenho”, completou.
Histórico do Brasil em missões de paz e o tema de 2024
O Brasil possui um dos maiores históricos de participação em operações de manutenção da paz da ONU. Ao longo das últimas décadas, milhares de militares brasileiros atuaram em missões na América Latina, África e Oriente Médio. Esses contingentes contribuíram para a estabilidade, proteção de civis e reconstrução de países atingidos por conflitos armados.
Entre todas as operações, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, liderada pelo Brasil entre 2004 e 2017, permanece como uma das mais emblemáticas da história militar brasileira. A atuação brasileira consolidou o país como referência internacional em missões humanitárias e de manutenção da paz.
Os peacekeepers são militares mobilizados para atuar em áreas de conflito ao redor do mundo. A ONU celebra a data em 29 de maio, desde 2002, em referência ao aniversário da primeira missão de paz das Nações Unidas, criada em 1948.
Neste ano, a organização internacional escolheu o tema “Investir na Paz” para a celebração. A proposta reforça a necessidade de garantir recursos e condições adequadas para que mantenedores da paz, civis e militares, cumpram seus mandatos em regiões marcadas por instabilidade e violência.
Revitalização da Praça da Bandeira
A escolha da Praça da Bandeira como palco da solenidade também carregou simbolismo. O espaço, agora sob gestão do Comando Militar da Amazônia Oriental, vive um processo contínuo de revitalização e já começou a ser devolvido à população.
Segundo o General Bazi, a cerimônia marcou um novo capítulo para o local. “Hoje nós fazemos também nossa primeira formatura aqui na Praça da Bandeira, marcando a reabertura desse espaço ao público com o hasteamento do nosso pavilhão nacional sendo realizado pela primeira vez desde 2024”, destacou.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/formatura-militar-marca-retomada-da-praca-da-bandeira-em-belem/

