Lula sobe o tom, chama Marco Rubio de “frustrado” e diz que não vai ceder a Trump: “Acabou a política de vira-lata”

Em reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a postura firme do Brasil diante da nova ofensiva comercial dos Estados Unidos e criticou duramente a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de aliados que, segundo ele, fomentam conflitos internacionais com fins eleitoreiros.

Lula destacou que a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em 1º de junho, chegou de forma surpreendente ao governo brasileiro, e classificou como “traição à pátria” a participação de brasileiros na articulação da medida, se referindo a Flávio Bolsonaro, sem citar diretamente seu nome, como “imbecil”.

“O que é triste é que tem brasileiros fomentando essa briga na perspectiva de que, se ele taxar a gente, vai prejudicar uma candidatura à presidência, e o imbecil não percebe que quem será prejudicada é a população brasileira e não o Lula”, afirmou o presidente.

“Mas o que é importante vocês saberem é que nós estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, eu diria até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país, a nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, a nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma república piqueta insignificante”, acrescentou Lula, reforçando a gravidade da situação.

Críticas a Marco Rubio e defesa da soberania

O chefe do Executivo se dirigiu ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, um dos principais interlocutores do governo estadunidense com o clã Bolsonaro, afirmando que ele é um “latino-americano frustrado” e criticando declarações de que os EUA estariam aproximando a América Latina de sua influência, com exceção do Brasil, Nicarágua, Cuba e Colômbia.

“Ele não sabe que nós já sabemos que antes dessa jogada deles, este país foi vítima de golpe em 1964 articulado por embaixadores americanos. É importante que eles saibam que conhecemos a história e que queremos fortalecer a relação institucional com os EUA”, afirmou Lula.

O presidente explicou ainda que o Brasil tentou dialogar com os EUA de maneira formal antes das medidas. “Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Desde o primeiro Twitter do presidente Trump, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilização exigem. Eu fiquei sabendo da taxação primeira pelo Twitter”, relatou.

Ele também defendeu o multilateralismo e a construção de narrativa própria: “Nós não fizemos bravata, não fizemos discurso, nós resolvemos construir uma narrativa para tentar mostrar, não só aos Estados Unidos, mas mostrar a outros países e ao povo americano, porque teve alguns artigos no The Post, estava alguns artigos meus no New York Times para tentar conversar com o povo americano mostrando a insensatez, sabe, da punição ao Brasil.”

Lula reforçou a decisão do país de não ceder:

“Nós resolvemos decidir que esse país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Ninguém tem que ter medo de nada, não vamos abaixar a cabeça. Somos um país democrático e soberano. Não cederemos.”

Ofensiva de Trump e articulação bolsonarista

A ofensiva comercial dos EUA tem relação direta com a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, em 26 de maio, quando ele e o irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se reuniram com Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e Marco Rubio. A sequência de encontros e a divulgação das tarifas dias depois geraram críticas do Planalto, que acusa a família Bolsonaro de usar a política externa para interesses eleitorais e pessoais, em detrimento da economia nacional.

Lula ressaltou que o Brasil manterá sua postura independente, buscando parcerias alternativas: “Nos não vamos ficar chorando. Vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, vamos vender pra quem quer comprar.”

O presidente reiterou que o país só quer paz e reforçou a importância do multilateralismo: “Nós estamos muito tranquilos. Eu não quero guerra com os EUA, com a China, com a Bolívia, com o Uruguai. O que eu quero é provar que somente é possível a gente viver em paz se a gente fortalecer a democracia, o multilateralismo.”

O governo Lula também destacou que o Pix, símbolo da soberania digital brasileira, está protegido e não será objeto de negociações unilaterais. Ao mesmo tempo, Lula reforçou que o país buscará diversificar parcerias comerciais e manter o multilateralismo como eixo central da política externa.

Com discurso firme e retórica direcionada, Lula busca transformar o ataque externo em capital político interno, reforçando sua posição de liderança regional e a defesa dos interesses nacionais frente à interferência de aliados bolsonaristas e à retórica protecionista de Washington.

Fonte: https://revistaforum.com.br/revista-forum/lula-rubio-trump/