O prazo final do governo Lula para negociar tarifaço de 25% com Trump

Donald Trump e Lula na Casa Branca. Foto: Ricardo Stuckert

Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que acompanham as conversas com os Estados Unidos avaliam que 15 de julho será o prazo definitivo para uma decisão sobre a tarifa de 25% anunciada pela gestão Donald Trump contra produtos brasileiros. A expectativa, no entanto, é que as negociações avancem até essa data para tentar evitar a aplicação do tarifaço.

Nesta semana, os EUA divulgaram dois relatórios de investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio. O primeiro, anunciado na terça-feira (2), mira exclusivamente o Brasil e trata de práticas comerciais consideradas desleais por Washington. A confirmação das tarifas aconteceu após Trump receber Eduardo e Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca.

O documento cita temas como Pix, propriedade intelectual, decisões judiciais e desmatamento. O relatório afirma que determinados atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio dos EUA com o país.

No dia seguinte, Washington anunciou a proposta de uma tarifa de até 12,5% contra 60 países por supostas falhas relacionadas ao “trabalho forçado”. Na prática, o relatório sustenta que países como o Brasil não impediriam a entrada de produtos fabricados em desacordo com essas regras.

Trump reunido com os irmãos Bolsonaro na Casa Branca. Foto: reprodução

As duas tarifas ainda não entram em vigor imediatamente. Elas passarão por audiências e consultas antes de uma decisão final, esperada para julho. No governo brasileiro, a data de 15 de julho passou a ser tratada como o limite para tentar construir uma alternativa diplomática.

Segundo o Globo, a avaliação de auxiliares de Lula é que a tarifa de 25% tem mais chance de ser revertida em negociação do que a de 12,5%. Isso porque a segunda medida atinge uma lista ampla de parceiros comerciais dos Estados Unidos, incluindo países alinhados a Washington, como a Argentina.

Mesmo assim, a tarifa ligada a trabalho forçado pode ser usada como argumento pelo Brasil nas conversas com o governo Trump. A ideia é sustentar que o país já estaria incluído em uma cobrança adicional e que a aplicação de uma segunda tarifa, de 25%, ampliaria os impactos sobre a relação comercial bilateral.

Setores de interesse dos Estados Unidos já aparecem no radar do governo brasileiro como possíveis pontos de negociação. Entre eles estão equipamentos usados na área de saúde e itens do setor de tecnologia da comunicação, como hardwares fabricados nos EUA.

Pessoas que acompanham as conversas afirmam que também não está descartada a possibilidade de o Brasil oferecer concessões tarifárias em alguns segmentos. A estratégia seria buscar uma saída negociada antes da entrada em vigor da medida mais pesada contra produtos brasileiros.

Apesar de o governo ter citado a Lei de Reciprocidade como alternativa, auxiliares de Lula afirmam que esse não deve ser o caminho escolhido neste momento. A ferramenta segue como opção caso as negociações não avancem.

Lula também sinalizou que pretende participar da reunião do G7, o que poderia abrir espaço para um encontro com Trump. Até agora, porém, não há agenda marcada entre os presidentes.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-prazo-final-do-governo-lula-para-negociar-tarifaco-de-25-com-trump/