Dark Horse: tentáculos da produtora do filme de Bolsonaro chega a 51 governos estaduais e municipais

A empresária Karina Ferreira da Gama, produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, aparece em uma rede de contratos públicos maior do que a já mapeada nas últimas semanas. Documentos entregues pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por ela, listam convênios e repasses com ao menos 51 governos no país, entre prefeituras, estados e o Distrito Federal.

O levantamento foi publicado por Vinicius Segalla, no Diário do Centro do Mundo, e acrescenta uma nova camada ao caso que a Revista Fórum vem acompanhando: a sobreposição entre a Go Up Entertainment, produtora do longa bolsonarista, o ICB, contratos da gestão Ricardo Nunes, emendas de parlamentares do PL e investigações abertas na Polícia Civil e no Supremo Tribunal Federal.

Nos últimos dias, a Fórum publicou que Karina é o elo entre a produtora de Dark Horse e contratos milionários com a Prefeitura de São Paulo. Também reportou que o ICB recebeu recursos de emendas de Mário Frias, produtor-executivo do filme, além de ter firmado contrato de R$ 108 milhões com a gestão Nunes para operar pontos do programa Wi-Fi Livre SP.

Karina Ferreira da Gama e a expansão da rede pública

Segundo a documentação citada pelo DCM, o ICB apresentou à Prefeitura de São Paulo uma lista de contratos, convênios ou repasses vinculados a 49 municípios, além do governo paulista e do Distrito Federal. Os projetos vão de robótica educacional e instalação de antenas de Wi-Fi a eventos literários evangélicos, capacitação de professores e ações de automobilismo social.

A informação muda a escala do caso. A rede que já aparecia conectada ao contrato do Wi-Fi Livre, às emendas parlamentares e ao filme de Bolsonaro não se limitava à capital paulista. A própria entidade apresentou um histórico de atuação espalhado por diferentes administrações públicas.

Contrato de R$ 108 milhões está sob investigação

O principal contrato em apuração foi assinado em 20 de junho de 2024 pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo. O acordo previa a implantação e operação de 5 mil pontos de Wi-Fi público em comunidades da capital, ao custo de R$ 108 milhões.

A execução do programa virou alvo da Operação Wi-Fi Livre SP, da Polícia Civil, que apura suspeitas de fraude contratual, desvio de recursos e lavagem de dinheiro. A Go Up, produtora do filme de Bolsonaro, também entrou no radar da investigação por sua ligação com Karina e com o ICB.

A Fórum publicou ainda que a ONG ligada ao filme emitiu R$ 1,2 milhão em notas fiscais para empresas do mesmo entorno, o que reforçou suspeitas sobre a circulação de dinheiro dentro da própria rede associada à produtora.

Emendas de Mário Frias chegaram ao STF

Outra frente envolve emendas parlamentares. A Fórum reportou que Mário Frias destinou recursos ao entorno da produtora de Dark Horse. O deputado nega irregularidades e afirma que os repasses financiaram projetos públicos sem relação com o longa.

O caso entrou no radar do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que pediu informações sobre emendas do PL destinadas a entidades vinculadas ao grupo de Karina Ferreira da Gama. A Fórum também acompanhou a intimação de Frias, Bia Kicis e Professor Alcides Polon no âmbito da apuração sobre os repasses.

TCU e dados do Wi-Fi ampliam pressão sobre o caso

A rede já havia recebido alerta anterior de órgãos de controle. A Fórum publicou que o TCU apontou o ICB como possível organização de fachada antes do avanço do contrato com a gestão Nunes.

Outra frente foi aberta após reportagem do Intercept Brasil apontar possível uso de dados do Wi-Fi Livre para disparos em massa. A Fórum reportou que Sâmia Bomfim pediu investigação sobre o caso, o que levou o escândalo também ao debate sobre proteção de dados pessoais.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/produtora-dark-horse-51-contrato/