Diretor da PF chama decisão dos EUA sobre PCC e CV de “equívoco grosseiro”

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, chamou de “equívoco grosseiro” a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Em entrevista ao Metrópoles, ele afirmou que a medida não altera a legislação brasileira nem muda a forma de atuação das autoridades nacionais.

“A decisão dos Estados Unidos não tem o condão de alterar a política pública e a legislação brasileira de enfrentamento ao crime organizado. Não existe nenhuma força executória de uma decisão de outro país capaz de mudar algo dentro do Brasil”, afirmou Andrei.

O chefe da PF disse que há diferença técnica entre organizações terroristas e facções criminosas voltadas ao narcotráfico. Segundo ele, grupos terroristas têm motivações ideológicas ou religiosas, enquanto facções como PCC e Comando Vermelho atuam com objetivo de lucro.

“As organizações terroristas têm motivações ideológicas, religiosas e objetivos distintos. As facções brasileiras buscam lucro. É um equívoco confundir essas duas realidades porque as estratégias de enfrentamento são diferentes”, disse.

Apesar da crítica, Andrei afirmou que a decisão pode abrir espaço para os Estados Unidos ampliarem a cooperação com o Brasil. Ele citou como exemplos a prisão de foragidos brasileiros em território estadunidense, o bloqueio de bens usados para lavagem de dinheiro e a recuperação de ativos ligados ao crime organizado.

PCC CV
Distribuição do PCC (azul) e do CV (vermelho) no território brasileiro em 2025. Foto: Divulgação/Fórum Nacional de Segurança Pública

“Se os Estados Unidos querem enfrentar essas facções, podemos colaborar. Eles podem prender foragidos da Justiça brasileira, bloquear bens de criminosos que utilizam o sistema financeiro norte-americano para lavar dinheiro e ampliar a troca de informações. Existem muitas possibilidades de cooperação”, declarou.

O diretor-geral da PF também afirmou que a corporação mantém boa relação com o FBI e a DEA. Segundo ele, muitas operações e apreensões realizadas no Brasil decorrem da troca de informações com agências estadunidenses.

Andrei reconheceu, porém, que a nova classificação pode criar dificuldades burocráticas. “Precisamos aguardar para entender como os Estados Unidos vão operacionalizar essa decisão. O que pode haver são embaraços administrativos ou mudanças nas agências responsáveis pela interlocução com o Brasil nesse tema”, afirmou.

Segundo o diretor-geral, a estratégia brasileira contra o crime organizado seguirá a mesma. Ele citou investimentos em tecnologia, inteligência, regiões de fronteira e ações de descapitalização de facções criminosas, com bloqueios patrimoniais e apreensões de drogas.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/diretor-da-pf-chama-decisao-dos-eua-sobre-pcc-e-cv-de-equivoco-grosseiro/