Carlito Neto diz ser alvo de censura judicial após críticas ao ex-deputado André Moura

O jornalista e criador de conteúdo Carlito Neto afirma estar sendo alvo de censura judicial após uma nova decisão relacionada a vídeos publicados sobre André Moura, pré-candidato ao Senado por Sergipe pelo União Brasil e ex-secretário do governo Cláudio Castro, no Rio de Janeiro. Segundo Carlito, a medida pode resultar até mesmo na remoção de seus perfis nas redes sociais.

O caso envolve publicações feitas por Carlito sobre a trajetória política de André Moura, sua passagem pelo governo fluminense e declarações relacionadas ao caso do INSS. O jornalista sustenta que seu trabalho se limitou à análise de informações públicas, sem imputação de crimes ou acusações sem provas.

Disputa judicial

Segundo Carlito, os vídeos publicados em seu perfil não imputavam crime a André Moura nem afirmavam que ele teria ligação com facção criminosa. O jornalista diz que apenas analisou fatos públicos envolvendo relações políticas do ex-secretário do governo Cláudio Castro com personagens do Rio de Janeiro citados em investigações e reportagens nacionais, como TH Joias e Rodrigo Bacellar.

Carlito afirma ter deixado claro, nos conteúdos, que relações políticas ou de amizade não significam, por si só, participação em crimes ou organizações criminosas.

O comunicador também sustenta que seu material é diferente do que costuma ser feito por comunicadores da extrema direita e do bolsonarismo, que, segundo ele, muitas vezes imputam crimes, atribuem condutas sem provas e depois tentam classificar esse tipo de acusação como mera crítica política.

No caso dele, afirma o jornalista, o trabalho consiste em repercutir matérias públicas, documentos, declarações, entrevistas e postagens feitas nas redes sociais pelos próprios políticos, expondo esses elementos ao debate público e à análise da sociedade.

Mesmo assim, André Moura recorreu à Justiça em Sergipe. Uma decisão liminar recente determinou a remoção de 12 vídeos publicados por Carlito, incluindo conteúdos sobre a política do Rio de Janeiro, sobre o INSS e até vídeos em que o jornalista afirma ter apenas contestado informações que considera falsas.

Carlito diz ter cumprido a decisão e removido os materiais, mas sustenta que a medida foi desproporcional e atingiu diretamente seu trabalho de análise política e jornalística.

Nova decisão e risco de remoção de perfil

O caso ganhou novo capítulo após Carlito publicar um vídeo comentando uma entrevista de André Moura sobre o fim da escala 6×1. Na gravação, o jornalista questionou a coerência do pré-candidato, lembrando que lideranças do União Brasil e do PL se manifestaram contra o avanço da pauta. Carlito também citou a atuação de André Moura como líder do governo Michel Temer durante a aprovação da reforma trabalhista de 2017.

De acordo com o jornalista, a defesa de André Moura alegou que esse novo vídeo teria descumprido a decisão liminar anterior. Carlito afirma que ainda não foi formalmente notificado, mas recebeu a informação de que a Justiça teria reconhecido o suposto descumprimento, aplicado multa de R$ 5 mil, aceitado uma queixa-crime por difamação e deferido pedido para remoção de seus perfis no Instagram.

Segundo ele, a Meta já teria sido oficiada, o que poderia levar à queda de sua conta a qualquer momento.

Carlito contesta a acusação. Ele afirma que o vídeo sobre a escala 6×1 não tratava do Rio de Janeiro nem do caso do INSS, temas que estavam no centro da decisão anterior. Para o jornalista, punir esse conteúdo significaria ampliar indevidamente os efeitos da liminar e impedir qualquer crítica política ao pré-candidato.

Caso Bacellar amplia contexto político

O comunicador também aponta que novas reportagens nacionais sobre Rodrigo Bacellar e possíveis desdobramentos de investigações no Rio de Janeiro reforçam a relevância pública dos temas que vinha abordando.

Segundo o site Agenda do Poder, Bacellar teria fechado acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e relatado um suposto esquema de mesadas para deputados ligados à chamada “Tropa do Bacellar” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O acordo, ainda segundo a reportagem, poderia envolver informações sobre sua relação com André Moura e possíveis irregularidades em áreas do governo Cláudio Castro.

Para Carlito, se essas informações forem confirmadas oficialmente, ficará ainda mais evidente que suas análises tratavam de assuntos de interesse público.

“O que está em jogo é o direito de informar, analisar e questionar a trajetória de quem pretende ocupar um cargo público”, afirma Carlito.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/carlito-neto-andre-moura/