Com paradeiro incerto e não sabido, o deputado Mário Frias (PL-SP) celebrou a tentativa de blindagem de Flávio Bolsonaro (PL) e do filme Dark Horse na segunda tentativa de Daniel Vorcaro de firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A segunda versão do acordo deve ser entregue até sexta-feira (12) pelos advogados do banqueiro, que incluiu o “patrocínio” a Dark Horse após a revelação do áudio em que é cobrado por Flávio Bolsonaro do pagamento de parte dos 24 milhões de dólares prometidos pelo clã.
A troca de mensagens ocorreu às vésperas da primeira prisão de Vorcaro, em novembro. Dias depois, quando o dono do Master usava tornozeleira eletrônica e era monitorado pela PF, Flávio Bolsonaro o visitou na mansão onde mora em São Paulo.
Segundo informações de Igor Gadelha, no site Metrópoles, Vorcaro deve confirmar o patrocínio no acordo de delação, mas deve alegar que não haveria irregularidades, o que contraria fatos e provas já obtidas pela PF.
O banqueiro pretende descrever que o patrocínio prometido ao “irmão” Flávio Bolsonaro” não envolveria contrapartidas e seria uma questão privada, o que confronta com as investigações sobre os dutos de dinheiro público transferidos ao Master por governos bolsonaristas, como de Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), além do esquema de fraudes em empréstimos consignados via Credcesta.
Celebração
Nas redes, o deputado Mario Frias, produtor-executivo do filme ao lado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), compartilhou diversas publicações sobre o tema, celebrando a blindagem ao filme e à Flávio Bolsonaro.
“Nova delação de Vorcaro é um balde de água fria na sordidez da esquerda sobre Dark Horse”, diz uma das publicações, compartilhada de um site do ecossistema bolsonarista.
Carlos Bolsonaro (PL-RJ) também celebrou a proposta de delação de Vorcaro para blindar o irmão das investigações da PF.
“Se fosse só a esquerda….. Os permitidos trabalham dia sim e dia também para manter qualquer narrativa contra os FILHOS de Bolsonaro para então se colocarem no tabuleiro autorizado”, escreveu, sinalizando que acredita que a revelação do fato foi fogo-amigo.
https://x.com/CarlosBolsonaro/status/2063959861516288365
Blindagem
No novo acordo de delação premiada que será entregue à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), Daniel Vorcaro tenta blindar Flávio Bolsonaro (PL) ao citar o “patrocínio” ao filme Dark Horse, uma narrativa da ultradireita sobre Jair Bolsonaro. A proposta ampliada, após a recusa da primeira versão, deve ser negociada nesta semana e, ao que tudo indica, deve ser novamente rejeitada por contrariar fatos e provas já obtidas pelos investigadores.
Após esconder até mesmo a relação com o grupo político ligado ao ex-presidente, Vorcaro incluiu na nova proposta a relação íntima com nomes como Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil e presidente de fato da era Bolsonaro, e explicações sobre os cerca de 24 milhões de dólares – dos quais 10 milhões de dólares teriam sido transferidos para o fundo Havengate – que seriam destinados à cinebiografia do ex-presidente, produzida pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
No entanto, segundo informações de Igor Gadelha, no site Metrópoles, Vorcaro anteciparia no acordo de delação que não haveria irregularidades no patrocínio de Dark Horse, o que contraria fatos e provas já obtidas pela PF.
Vorcaro teria descrito que o patrocínio prometido ao “irmão” Flávio Bolsonaro” não envolveria contrapartidas e seria uma questão privada, o que confronta com as investigações sobre os dutos de dinheiro público transferidos ao Master por governos bolsonaristas, como de Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), além do esquema de fraudes em empréstimos consignados via Credcesta.
Vorcaro teria decidido incluir Dark Horse na delação após a revelação do áudio em que Flávio Bolsonaro o cobra sobre parte do dinheiro que não havia sido transferido ao fundo, que supostamente operava a gestão financeiro do filme. A troca de mensagens ocorreu às vésperas da primeira prisão do banqueiro, em novembro. Já com Vorcaro com tonozeleira eletrônica, Flávio visitou o amigo um dia antes de anunciar sua pré-candidatura à Presidência.
R$ 60 bilhões
Vorcaro ainda teria prometido ressarcir os cofres públicos em um valor que varia entre R$ 40 e R$ 60 bilhões. No entanto, a dúvida dos investigadores é de onde o banqueiro do liquidado Master vai tirar o montante. O valor é próximo aos R$ 40 bi que o Fundo Garantidor de Crédito (FCG) teve que dispor para reembolsar investidores que compraram até R$ 250 mil em títulos podres negociados pelo banco.
No acordo, Vorcaro teria se comprometido a ressarcir fundos públicos da Previdência, como o RioPrevidência, que aportou R$ 3 bilhões no Master.
Durante as tratativas, a proposta em discussão prevê que a restituição dos valores considerados irregulares a fundos estaduais e municipais de aposentadoria seja um dos principais pontos na definição da multa a ser aplicada ao banqueiro.
Na semana passada, a Polícia Federal apontou uma coincidência temporal entre os investimentos bilionários realizados pelo fundo fluminense e encontros mantidos por Vorcaro com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que também é alvo das apurações.
As investigações, no entanto, não se limitam ao estado do Rio de Janeiro. O Ministério da Previdência Social identificou ao menos 18 fundos previdenciários estaduais e municipais com aplicações no Banco Master.
Além do Rioprevidência, a lista inclui os fundos estaduais do Amapá, que investiu cerca de R$ 400 milhões, e do Amazonas, com aproximadamente R$ 50 milhões aplicados. Também aparecem entre os investidores fundos municipais de cidades localizadas nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco.
De acordo com os levantamentos iniciais, os investimentos realizados por entidades previdenciárias além do fundo fluminense ultrapassam R$ 1 bilhão.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/mario-frias-blindagem-vorcaro-flavio-bolsonaro/

