TV Fórum: “Povo paranaense dará resposta nas urnas”, diz Renato Freitas sobre sua cassação

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (8), o deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) afirmou que o povo paranaense vai dar “a resposta nas urnas” sobre a sua possível cassação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que pode ocorrer na próxima semana. 

O deputado, que já foi cassado em 2022 quando ainda era vereador, é pré-candidato a deputada federal para as eleições de outubro e acredita que deve ter votos suficientes para ser eleito, o que vai demonstrar o apoio popular contra a sua nova cassação. 

“Qual foi a resposta do povo curitibano e do povo paranaense na época? 60 mil votos, sem campanha, cassado, sem recurso – porque não podia receber o recurso, já que eu estava com a candidatura suspensa – e, mesmo assim, o povo paranaense deu a resposta nas urnas. Eu acredito que isso vai ocorrer agora novamente”, relembrou Freitas. 

Na época, ele havia sido cassado por ter promovido uma manifestações no âmbito da campanha internacional “Vidas Negras Importam” contra o assassinato de duas pesoas negras. A ação que motivou a sua cassação foi um ato antirracista realizado dentro da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos com a população paranaense e o próprio padre do local. 

Cassação arbitrária 

Em relação à sua cassação, Freitas destacou que a decisão é arbitrária. Ele pontua que apesar do legislativo ter autonomia sobre seus assuntos internos, os parlamentares devem obedecer a Constituição Federal e o princípio democrático. 

“Então, não é uma farra, digamos assim, não é um arbítrio, é uma prerrogativa. E o que está ocorrendo na Assembleia é uma coisa arbitrária, porque eles, vejam na balança, não cassaram um deputado quando ele assassinou uma pessoa. Sim, o cara que dá nome à Comissão de Constituição e Justiça, que morreu recentemente, que era deputado até pouco tempo atrás, Rubens Recalcatti, assassinou mais de uma pessoa”, afirmou Freitas. 

O deputado também citou o caso de Carli Filho, ex-deputado membro de uma família de nobreza no interior do Paraná, que assassinou duas pessoas após provocar um atropelando sob o efeito de álcool em 2009.  

“Ele não morreu, mas os dois rapazes que estavam nesse carro foram decapitados. Te pergunto, aconteceu alguma coisa com ele? Na Comissão de Ética? Nada. Ele nem foi processado, nem caçado pela Comissão de Ética”, pontuou Freitas. 

Outro caso citado pelo deputado é um que ele mesmo denunciou durante seu mandato e que motivou a perseguição política, de acordo com o parlamentar. “O caso mais gritante e recente, que é o do Ademar Traiano, que eu, no exercício do meu mandato, denunciei e provei que ele fez uma licitação fraudulenta direcionada para a família Malucelli, a família mais rica do sul do Brasil”, afirmou o parlamentar. 

Apesar das denúncias apresentadas contra Traiano, Feitas afirma que o Ministério Público, ao invés de denunciar e tornar público o escândalo de corrupção, “simplesmente colocou sigilo absoluto no processo e fez um acordo de não-persecução penal, ou seja, de impunidade”. 

“E, daí, em um ambiente desse, em que a corrupção é a regra, é claro que nós passamos pelo errado. Porque, a partir desse momento, a perseguição em relação à minha pessoa foi implacável Porque ali é arbitrário”, ressalta o deputado. 

Por fim, Freitas criticou: “Você deixar de punir homicídio doloso, homicídio culposo, corrupção de 500 milhões de reais para cima, e punir alguém que estava defendendo a sua família diante de uma grave e injusta ameaça, como foi o meu caso? Não pode ser julgado pelo Parlamento“. 

Agressor é ligado à extrema direita

Em relação ao seu processo de cassação, o deputado explicou que o homem com o qual protagonizou uma briga na rua, Wesley de Souza Silva, é próximo a pessoas de extrema direita, o que, para ele, demonstra que a agressão teve motivação política. 

A verdade é que esse rapaz, o que tudo indica, estava mancomunado com aquele Jeffrey Chiquini, que é o advogado da extrema-direita aqui no estado do Paraná, e candidato a deputado federal. E logo esse rapaz nos avistou. Eu fui fazer um exame de ecografia com a mãe da minha filha e quando a gente saiu do exame, o rapaz estava com o carro na calçada. Nós não vimos, ou pelo menos não imaginamos que o carro poderia acelerar naquele momento. E quando eu atravessei a rua, ele acelerou para provocar a situação”, relembrou o deputado. 

“Eu olhei para ver se o rapaz fazia um gesto ou se desculpava, dizia que não tinha visto ou alguma coisa do gênero, como é normal. E o contrário aconteceu. Ele me xingou e demonstrou que foi intencionalmente que ele jogou o carro sobre nós por alguma divergência política ou por racismo”, acrescenta Freitas. 

Freitas afirma que o mais importante nessa situação é que o Código de Ética da Assembleia determina que só podem ser cassados os parlamentares que quebrarem o decoro no exercício da função do mandato parlamentar, o que não era o caso. Portanto, o deputado defende que isso, por si, já seria suficiente para anular seu processo de cassação, acredito. 

Confira a entrevista completa do depuado Renato Freitas

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/povo-paranaense-resposta-urnas-diz-renato-freitas/